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Lesados vão pedir audiência a Draghi

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SERGIO GARCIA; Your Image by S\303\251rgio Garcia

Depois de enviarem uma carta criticando o BdP, os clientes do papel comercial querem reunir com o presidente do BCE

A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) vai pedir uma audiência ao presidente do Banco Central Europeu (BCE) para apresentar documentação que suporta, no seu entendimento, a reivindicação de que o Novo Banco deve reembolsar na totalidade as suas aplicações em dívida de entidades do Grupo Espírito Santo (GES) subscritas aos balcões do BES/Novo Banco, tais como a Espírito Santo International (ESI) e a Rioforte.

Este pedido vai avançar depois de a associação já ter enviado uma carta a Mario Draghi. Assinada por Ricardo Ângelo, presidente da AIEPC — que conta com 750 associados —, a missiva é muito crítica em relação ao Banco de Portugal (BdP). 

“O Banco de Portugal tinha total consciência das dificuldades financeiras da Rioforte e da ESI, como documentado pelo menos desde novembro de 2013 e provavelmente desde o verão desse ano. E só em fevereiro de 2014 o nosso banco central proibiu a venda destes instrumentos de dívida de empresas que já estavam falidas”, lê-se na carta dos lesados. E prossegue, lembrando que a ordem do BdP foi acompanhada pela criação de uma provisão de €740 milhões “para assegurar o pagamento das nossas poupanças de vida”. Esta provisão foi criada com uma conta escrow (conta que serve de garantia) no próprio BES (antes da resolução) mas “inacreditavelmente a gestão do BES tinha acesso total a esta conta”, destaca a carta. “Todos os tipos de outros credores, sobretudo outros bancos, foram pagos a partir desta conta, enquanto o nosso supervisor viu as nossas poupanças esfumarem-se”.

Na carta, Ricardo Ângelo frisa que “fomos enganados duas vezes sobre as ordens diretas do Banco de Portugal. Esta é a única razão porque perdemos a nossa posição de topo na hierarquia de credores do Novo Banco”.

Em contrapartida, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sempre defendeu que “todos estes investimentos dos clientes de retalho do banco têm de ser completamente pagos ou tem de ser encontrada uma solução aceitável”, lê-se na mesma carta.

Esta iniciativa  dos clientes lesados é uma reação às notícias de que o BCE exige ter uma palavra final em qualquer solução que possa ser encontrada e que não aceita que o Novo Banco reembolse estas aplicações. Tudo por causa da hierarquia de credores resultante da medida de resolução que dividiu o BES em dois.