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Governo enfrenta verão quente em Atenas

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ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Apoio à estratégia negocial do Governo está a diminuir. Gregos aguardam concretização de promessas eleitorais 
e há tensões no Syriza.

Um período crítico e complicado começa para o Governo grego. E para o país também. Alexis Tsipras deseja, mais do que nunca, voltar para Atenas depois da cimeira na Letónia com notícias boas. Quatro meses depois das eleições, o primeiro-ministro sabe que a lua de mel já terminou. Ao entrar no sexto ano da crise, são poucos os cidadãos gregos que acreditam em milagres e em magos que salvarão o país com os seus truques.

Na semana passada, a sondagem da televisão privada SKAI mostrou que, pela primeira vez, a percentagem de respostas negativas sobre a estratégia do Governo nas negociações é maior do que os que responderam positivamente. Um outro elemento interessante é que 51,5% das respostas falam negativamente sobre o papel do Yanis Varoufakis.

O ministro das Finanças é a figura mais contraditória neste Governo da esquerda radical. Em entrevista ao jornal americano “New York Times”, Varoufakis admitiu que a situação da economia  grega se agravou por causa da negociação dura e mostrou-se preocupado com o futuro. Embora não haja reação oficial do primeiro-ministro, declarações deste tipo só multiplicam as vozes que dizem que Varoufakis não está entre as melhores escolhas para este Governo.

E a cadeia das más notícias não acaba aqui: o secretário-geral da Segurança Social confirmou que o Governo não tem margem orçamental para cumprir o pagamento do 13º mês e os reformados vão ter que esperar até ao próximo ano. 

Ao mesmo tempo, o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble criou um ambiente de ameaça com as suas palavras no “Wall Street Journal” ao referir que, “ao contrário de 2012, desta vez não posso assegurar que a Grécia não entre em bancarrota”.

Promessas eleitorais 
em xeque
Apesar dos empregados da televisão pública que vai reabrir — o novo sistema ainda não saiu do ar — e das cinquenta funcionárias de limpeza do Ministério das Finanças que regressam aos seus postos, o resto da sociedade tem visto poucos sinais da esperança que o Syriza prometeu na campanha eleitoral. 

Por todas estas razões, Alexis Tsipras precisa de oferecer algo aos gregos. E também para calar a oposição interna do partido. Mesmo quando o Syriza era um partido com poucas possibilidades de ser o protagonista da vida política, Tsipras procurava equilíbrios.  

O primeiro-ministro mais jovem na história helénica tem a responsabilidade de agir como líder de um Estado da União Europeia. E ele reconhece, melhor do que todos, que a sua credibilidade e a do Governo é afetada pela existência de tendências que falam abertamente contra a Europa e contra a zona euro. 

O verão trará não apenas temperaturas altas, sol e férias. Os próximos três meses serão difíceis em todas as áreas: economia, política social,  imigração ilegal, relações estáveis com países poderosos fora da Europa (EUA, Rússia, China) e investimento estrangeiro. Além, claro, da pressão permanente de ter que encontrar dinheiro para fazer pagamentos. 

Há um provérbio grego que diz que “o bom capitão mostra-se na hora da tempestade”. A verdade é que há muito tempo que a Grécia parece um barco abandonado sem ninguém ao leme. Os 11 milhões de ‘passageiros’ esperam que o ‘capitão’ Tsipras os guie até um porto seguro. Será capaz?