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Aviões de Efromovich para 
a TAP parados em Espanha

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FOTO D.R.

Empresário colombiano diz que tem aviões novos para a TAP. 
Dois deles estão a apanhar pó em Espanha

Aviões no solo só perdem dinheiro. Esta é uma das máximas sobre a aviação que sempre se deu como certa. Nos dias de hoje já não é bem assim. Há casos em que devido ao valor das tarifas ou à quebra de negócio fica mais barato parquear os aviões.

Não se sabe se é o caso dos dois aviões que a empresa de Germán Efromovich, a Synergy, encomendou à Airbus e que desde o início do ano estão parados no aeroporto espanhol de Teruel. 

Um dos aviões voou pela primeira vez em junho de 2014, o outro em novembro de 2014 e estavam prontos para ser entregues à Avianca Brasil no final do ano passado. Pintados com a cor e emblemas da companhia, que também pertence ao empresário colombiano, não chegaram às mãos da mesma. A Airbus deslocou-os para o aeroporto de Teruel, que fica entre Madrid e Valência, e que a empresa europeia usa, desde o início do ano, para estacionar aviões novos que estão  à espera de ser entregues aos seus donos. De acordo com uma notícia publicada no site do jornal regional “Diário de Teruel”, os aviões chegaram em janeiro deste ano juntamente com outros aviões da Líbia Arlines e da Afriqiyah, duas companhias aéreas da Líbia detidas pelo estado. O jornal espanhol escreve que a Airbus está a usar este aeroporto regional espanhol para armazenar aviões novos que, por motivos financeiros ou outros, as companhias de aviação não recolhem no prazo previsto deixando-os nas mãos do fabricante.

Estes são dois de um total de 12 aviões novos que Efromovich quer vender já à TAP no processo de privatização. Contactada, a Airbus refere que os aviões já não são da fabricante e que estão parqueados “por alguma razão”. A equipa do empresário confirma que os aviões são da Synergy e que não existem pagamentos em atraso. Os aviões não foram registados e estão parados porque, explica a mesma fonte, a entrega destes aviões coincidiu com o relançamento do processo de privatização e por isso estão à espera de uma decisão. Ter os aviões disponíveis e nunca usados é, de acordo com a mesma fonte, uma “mais-valia diferenciadora”. Fica por explicar porque é que os aviões estão pintados com as cores da Avianca e a bandeira do Brasil como se pode ver na foto. No site da Planespotters, site de aviação que acompanha a atividade de todos os aviões no mundo inteiro, é possível ver que os mesmos aviões estão retirados de uso. 

Os dois aparelhos são A330-200 novos mas cuja produção vai terminar. A Airbus substituiu estes pelos novos A320 NEO cujos primeros aparelhos chegam ao mercado no final deste ano.

Quase no fim, ficaram dois
Visões diferentes, mas com mérito semelhante. Sem revelar preferências, foi esta a ideia base do parecer técnico que a TAP entregou na quarta-feira sobre os dois candidatos que continuam na corrida à companhia aérea portuguesa. Depois, com base no relatório de avaliação produzido pela Parpública, entregue ainda na quarta-feira à noite, dois dias antes do final do prazo, o Governo decidiu, em Conselho de Ministros, passar à fase de negociação com David Neeleman (acionista da Azul) e Germán Efromovich (dono da Avianca), deixando Miguel Pais do Amaral (da Quifel Holdings) fora da corrida. A proposta do empresário português foi considerada não-vinculativa por não cumprir os requisitos mínimos legais impostos, conforme explicou Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, e a corrida ficou reduzida a dois candidatos brasileiros.

Avançam assim a SAGEF (grupo Synergy — Germán Efromovich) e a Gateway (DGN, de David Neeleman, e HPGB, de Humberto Pedrosa, presidente da Barraqueiro). Ambas propõem-se comprar 61% da TAP. As propostas, tal como o Expresso avançou há uma semana, preveem um aumento de capital da TAP que varia entre os €300 e os €350 milhões. O investimento é sobretudo para a companhia, com uma aposta na renovação da frota e na expansão da rede. E o Estado “encaixa” com a venda das suas ações entre €20 e €35 milhões.

Ainda antes de abrir a fase de negociação com os candidatos, o Governo contratou a sociedade de advogados Freshfields, avançava o “Público” esta semana, para avaliar se os investidores respeitam as regras da União Europeia que impedem que não-europeus controlem empresas do sector. O mesmo tinha feito no anterior processo de privatização, quando só Germán Efromovich estava na corrida. A composição e a nacionalidade dos consórcios tem sido um dos temas quentes da privatização. Efromovich tem passaporte polaco e Neeleman associou-se a um parceiro português, Humberto Pedrosa, para poder cumprir as regras comunitárias. O Governo conta ter uma decisão sobre a venda até ao fim do mês. 

David Neeleman
“Quero deixar claro que sou eu, David, quem está participando neste processo e não a Azul”, escreveu Neeleman num comunicado, a que o Expresso teve acesso, enviado aos trabalhadores da companhia aérea brasileira, de que é presidente e detém 8% do capital. Referindo-se ao processo de privatização da TAP, no dia em que entregou a sua proposta ao Governo (concorre através da sua holding DGN), David Neeleman disse acreditar que a TAP “é uma oportunidade muito boa para o Brasil e também para a nossa companhia (Azul)”. Caso ganhe a corrida, “isto certamente significará acordos e parcerias comerciais entre a Azul e a TAP, fortalecendo a posição competitiva de ambas as companhias e estreitando ainda mais as existentes”, refere. Fundada em 2008, a companhia de baixo custo Azul é a terceira brasileira que mais cresce. Tem 11 mil trabalhadores, voa para 105 destinos, com 138 aviões (a TAP tem 77) e transporta 21 milhões de passageiros (a TAP 11,4 milhões).

Para a TAP, Neeleman propõe um aumento de capital entre €300 milhões e €350 milhões e um investimento na frota, com a compra de 53 aviões (que terá de encomendar), sobretudo de longo curso. A proposta prevê o reforço das ligações dentro do Brasil (para alimentar os voos transatlânticos) e mais voos de Lisboa para outros destinos dos Estados Unidos, bem como a partilha de 10% dos dividendos com os trabalhadores, como já acontece na brasileira Azul ou na norte-americana JetBlue (outra companhia de baixo custo fundada por Neeleman).

Nos seus investimentos, o empresário faz-se acompanhar pelos brasileiros do grupo Bozano e da Gávea Investimentos e pelas sociedades gestoras de fundos Weston Presidio, PetersonPartners, TPG e Zweig-Dimenna. No consórcio que constituiu para concorrer à compra da TAP, está integrada a participação do empresário português Humberto Pedrosa (dono da Barraqueiro), desconhecendo-se como é que o capital está distribuído. 

Germán Efromovich
Esta é a segunda vez que o empresário concorre à compra da TAP. Depois de quase ter ficado com 100% do grupo em 2012 — não ficou por falta de garantias — Germán Efromovich oferece agora uma injeção de cerca de €250 milhões em “dinheiro fresco” (dos quais €150 a €180 milhões para capitalizar no imediato) e €100 milhões em “espécie” — 12 aviões novos que a Avianca tem já disponíveis para a TAP operar: seis A330 (longo curso) e seis A320 (médio curso), admitindo que os primeiros aviões estejam disponíveis para entrega já daqui a dois meses e que os restantes possam chegar até ao final do ano. 

Ao mesmo tempo, promete a renovação da frota da Portugália (PGA) nos seis meses seguintes à eventual tomada de posse. Ao todo, Efromovich pretende acrescentar 38 aviões ao grupo TAP e assegurar a chegada dos 12 Airbus A350 que a companhia já previa receber a partir de 2017 (ou seja, 50 aviões no total). Do plano estratégico que apresentou fazem parte o desenvolvimento das relações da TAP com a América Latina e do Sul e Estados Unidos, bem como a rentabilização do aeroporto de Beja como centro logístico de carga do grupo, com sinergias com o porto de Sines, transformando aquela infraestrutura num hub de carga do grupo (TAP e Avianca) para a Europa. Efromovich promete ainda a distribuição de dividendos (entre 10% a 20%) pelos trabalhadores.

No Brasil, a Avianca é detida a 100% pelo grupo Synergy, tem 46 aviões, 4300 trabalhadores, uma participação de 8,3% no mercado brasileiro e transportou 7,2 milhões de passageiros em 2014. A companhia tem operações separadas da Avianca Holdings (ex-AviancaTaca), empresa com sede na Colômbia, cotada na Bolsa de Nova Iorque, embora as duas sejam controladas pelo grupo Synergy, que detém 100% da Avianca Brasil e 51,53% da Avianca Holdings (onde também a norte-americana Kingsland Holdings detém 14,46%). A partir da Colômbia, a companhia latino-americana opera mais de 140 aviões, tem mais de 19 mil colaboradores e transportou 26,23 milhões de passageiros em 2014.