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Sabia que um empregado de mesa ganha mais no Porto do que em Lisboa?

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Diferença pode chegar aos 600 euros por ano e está a comprometer acordo coletivo sectorial.

A Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo e o Sindicato de Hotelaria do Norte estão a abrir uma nova frente de conflito regional entre o Porto e Lisboa. Desta vez, está em causa a negociação do contrato coletivo setorial e o facto de os salários no sector da restauração serem mais altos no Porto do que em Lisboa.

"Na tabela, um empregado de mesa ganha mais 600 euros no Porto do que em Lisboa, o que significa uma diferença de seis mil euros num estabelecimento com 10 trabalhadores", diz Condé Pinto, da direção da APHORT - Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo.

Na mesa negocial, esta diferença levou a APHORT a acusar o sindicato de Hotelaria do Norte de querer "salários mais baixos" em Lisboa do que no Porto, procurando "aproveitar uma vantagem competitiva das empresas de Lisboa".

O sindicato reage. Admite que os salários no Porto e Lisboa são diferentes e acusa a APHORT de estar a usar este facto como pretexto para comprometer o acordo global que esperava ter assinado quarta-feira.

Na expetativa do acordo, o sindicato desmarcou, aliás, algumas greves que poderiam afetar o funcionamento dos hotéis do Norte do país numa altura em que as taxas de ocupação estão mais altas, devido ao Rali de Portugal, disse ao Expresso Francisco Figueiredo, coordenador desta estrutura sindical. 

No entanto, as greves voltam a estar em cima da mesa e, esta quinta-feira, o sindicato organizou uma arruada com passagem por vários hotéis e estabelecimentos de restauração da cidade.

"Estávamos a negociar há já dois anos, mas a APHORT agiu de má-fé", acusa o sindicalista, enquanto Condé Pinto diz que a sua associação se limitou a tentar corrigir a diferença existente ou, pelo menos, "evitar que fosse agravada por novos aumentos no Norte".

Para isso, e por o acordo estar praticamente fechado, a APHORT propôs separar os segmentos da hotelaria e restauração, fechando as negociações no primeiro caso, em que não havia problemas, e deixando em aberto o segundo dossier. 

Lutar pelo contrato coletivo
A diferença salarial para os empregados da restauração do Norte, Lisboa e Algarve acontece porque os sindicatos negoceiam contratos diferentes com a APHORT, AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal e AIHSA - Associação dos Industriais Hoteleiros, Restauração e Bebidas. 

No entanto, a própria APHORT "propõe diferenças salariais entre concelhos", acusa o sindicato. "No caso do Grande Porto, a proposta da APHORT previa o pagamento de mais cinco euros no Porto e Gaia e nós conseguimos alargar isso a Matosinhos e Maia", explica.

O salário mínimo atual no sector da hotelaria e restauração é de 512 euros. Na proposta da APHORT para a hotelaria, estão previstos aumentos de 21 euros nos hotéis de cinco estrelas, 17 euros nos de quatro estrelas e 16 euros nos de três estrelas,

O Sindicato mantém a luta por um contrato coletivo que abranja a restauração, mas quer, entretanto, ver a hotelaria respeitar desde já a proposta que os empresários colocaram em cima da mesa.

"O que não podemos é comprometer a nossa capacidade negocial e aceitar cedências impensáveis, como a garantia de que não haverá greves no período de vigência do contrato ou não assinaremos contratos que possam ser mais vantajosos para outras associações", diz Francisco Figueiredo.