Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Professor Fischer dá nota máxima ao ex-aluno Draghi

  • 333

© Brendan McDermid / Reuters

Vice-presidente da Fed aplaude atuação do BCE no combate à crise, no discurso de abertura do Fórum do BCE em Sintra. Apesar dos problemas da Grécia e do risco de saída do Reino Unido da União, acredita que a zona euro está para durar.

O vice-presidente da Reserva Federal dos EUA faz um rasgado elogio à atuação do Banco Central Europeu (BCE) no combate à crise financeira. Stanley Fischer, que fez o primeiro discurso do Fórum anual do BCE que arrancou hoje em Sintra, reconhece que “há dois ou três anos, havia um ceticismo alargado na costa ocidental do Atlântico e do canal inglês sobre a viabilidade da união monetária e havia uma grande discussão sobre o que aconteceria em caso de colapso da atual zona euro”.

Esse ceticismo foi quase totalmente eliminado, diz, por uma frase que continha a expressão “tudo o que for necessário”. Uma alusão ao célebre discurso do presidente do BCE, Mario Draghi, na capital inglesa, em julho de 2012, que marcou uma viragem na crise da dívida na zona euro. Mas, lembra o banqueiro central, a intervenção não se ficou por aí e já este ano o BCE avançou para um programa de compra de dívida ao estilo do quantitative easing nos EUA ou no Reino Unido.       

“Não existe ninguém cuja convicção não se tenha alterado a favor da sobrevivência do essencial da atual zona euro, ainda que aguardemos pelo desfecho da crise grega e que saibamos que a crise atual ainda não acabou”, sublinhou Fischer. O economista não se poupou nos elogios a Mario Draghi, a quem lembrou que a melhor maneira de prevenir futuras crises é reforçar a estrutura económica e isso significa “a continuação de uma política monetária corajosa e eficaz e uma regulação e supervisão financeira corajosa e eficaz”.

Fischer alertou, no entanto, que a “política monetária pode fazer ainda mais se for acompanhada por uma politica orçamental expansionista”. Uma passagem do discurso que, em linguagem económica, tem subjacente a ideia que talvez ter politicas de austeridade, pelo menos de forma generalizada, pode dificultar a vida ao BCE que tem ficado com o ónus de combater a crise.

As palavras do vice-presidente da Fed dirigidas ao seu ex-aluno do MIT nos EUA – onde Draghi estudou e fez o doutoramento nos anos 70 – vão na mesma linha do discurso do presidente do BCE no verão passado no encontro anual do banco central americano em Jackson Hole, no Wyoming. Nessa altura, Draghi falou na necessidade de estimular a procura agregada, numa alusão a estímulos keynesianos de curto prazo, e lançou alguma polémica nos meios políticos europeus.

O otimismo de Stanley Fischer sobre o futuro da zona euro, apesar de riscos como a Grécia ou a saída do Reino Unido da União, surgiu no discurso depois de uma digressão histórica por várias uniões monetárias falhadas na Europa. Otimismo esse que veio acompanhado de um aviso: “No longo prazo, a União Económica e Monetária não irá sobreviver a menos que traga também prosperidade para os seus membros. Isso significa que o desafio futuro mais importante exige um aumento do crescimento da produtividade na Europa – e isso é um desafio que todo o mundo desenvolvido enfrenta.”