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Portugal em Exame. Empresas que cristalizem “serão canibalizadas pelos concorrentes”

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Rui Duarte Silva

Na abertura da conferência Portugal em Exame, em Braga, Francisco Maria Balsemão advertiu que se as empresas não inovarem alguém inovará por elas.

As empresas tradicionais têm de assumir “a atitude irreverente e inovadora” das startups e não se deixarem cristalizar. Se as empresas não inovarem “alguém  vai inovar por elas, canibalizando o negócio e conquistando os seus clientes”.  As advertências são de Francisco Maria Balsemão, vice-presidente do grupo Impresa, a que pertence o Expresso, na abertura da conferência Portugal em Exame que está a decorrer esta terça-feira em Braga.

A conferência é uma iniciativa da revista Exame, do grupo Impresa, em parceria com o Banco Popular que através de três módulos e nove gestores refletirá sobre “Novas empresas, nova economia digital”.

Francisco Maria Balsemão diz que se  “as startups têm de percorrer o seu caminho, respondendo à necessidade que identificaram”, as empresas instaladas não podem subestimar a inovação e a “reinvenção permanente”, reservando espaço e capacidade para “aperfeiçoar o modelo de negócio”. É essencial “estar atento a novos processos e novas tendências”. Por vezes, focados em aspetos imediatistas como controlo de custos ou satisfeitos por o negócio estar a correr bem, os gestores descuram os sinais que permitiriam antecipar “novos fenómenos”.

Todos os negócios serão "digitalizáveis”, podendo evoluir para modelos com “maior carga de inovação e tecnologia”. O digital é uma ferramenta essencial por ser um fator  “de eficiência e globalização” dos negócios clássicos. O segredo está "na articulação e otimização" entre os dois mundos. E se o primeiro movimento foi o da economia tradicional evoluir para o digital há já casos em sentido inverso, como o da plataforma de moda de luxo Farfetch que está a adquirir uma rede física de lojas em Londres.

Sotaque bracarense
Francisco Maria Balsemão justificou a escolha de Braga para esta conferência pelo ambiente “de inovação e tecnologia” que a cidade respira, funcionando como exemplo para o país.

E o espaço não poderia ser mais adequado. Que melhor local para acolher uma conferência sobre a nova economia do que um edifício reinventado, que transformou um inóspito quartel da GNR num festival de criatividade e empreendedorismo, dedicado à produção de ideias e negócios?  O GNRation, uma herança da Capital Europeia da Juventude 2012, traduz, no plano da arquitetura, a virtuosa aliança entre o velho e o novo que comandará a economia do futuro.

 A conferência terá um acentuado sotaque bracarense. Do lado da economia digital António  Murta,  (Pathena), o venture  capitalist que através a sua hollding já investiu em dez empresas que lidam com o conhecimento como matéria prima e o seu amigo e sócio de aventuras empresariais Carlos Oliveira (ex-secretário de Estado da Inovação. que preside à  InvestBraga. 

Rui Madeira (diretor da Companhia de Teatro de Braga) partilhará no último painel (Pense como uma startup) a visão das indústrias criativas, A criatividade é uma peça essencial no grupo DST, baseado na construção, que organiza oficinas de escrita para engenheiros e cursos de retórica e oratória, promovidos precisamente pela CTB. José Teixeira, presidente da DST, poderá dessas experiências, o do indicador FIB (Felicidade Interna Bruta) que comanda a gestão do grupo bracarense.