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O segredo do sucesso da Xiaomi

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O software MIUI, de base Android, é graficamente semelhante ao iOS

Jason Lee / Reuters

A empresa chinesa de produtos eletrónicos teve um grande crescimento no mercado chinês. O segredo 
parece estar na aposta num modelo de negócio muito próprio que permite praticar preços competitivos

Constança Lameiras Martins

Aos cinco anos de vida, a Xiaomi tem vindo a afirmar-se no mercado dos smartphones, sendo considerada a terceira maior fabricante do mundo deste tipo de telefones. Com uma aposta inicial no mercado chinês, rapidamente expandiu a atividade para mercados como Malásia, Singapura, Tailândia, Índia, Filipinas, Indonésia e Taiwan. 

O vasto portefólio de produtos tecnológicos da empresa passa não só pelos smartphones, mas também pelos tablets, headphones, colunas e até mesmo uma televisão e pulseira inteligentes. 

Com uma estratégia própria, a Xiaomi tem conseguido ganhar vantagem competitiva, nomeadamente pelos preços praticados e pelo sistema operativo oferecido — o MIUI — de base Android, que graficamente se assemelha ao iOS, da Apple.

Os preços praticados pela empresa chinesa são inferiores aos dos grandes concorrentes, como a Apple ou a Samsung. No entanto, a Xiaomi apercebeu-se que vender telefones baratos, quase a custo de produção, não seria uma estratégia sustentável a longo prazo. Neste sentido, adotou um modelo de negócio que pretende garantir que se cobrem os custos dos aparelhos, gerando dinheiro através da venda de conteúdo, nomeadamente das aplicações.

A esta estratégia de preços acresce um modelo de vendas e publicidade também diferente do dos principais concorrentes. As vendas são feitas online, no site da empresa, não existindo custos de lojas físicas. Os custos de marketing também são inexistentes, uma vez que a promoção é feita exclusivamente através das redes sociais, criando uma relação direta entre a marca e os consumidores.

A Xiaomi promete não se ficar pelos produtos tecnológicos. A prova disso foi a recente aposta no mundo financeiro, com o lançamento de um fundo de mercado monetário, que pretende concorrer com produtos semelhantes aos da Alibaba e da Tencent. O serviço vai resultar de uma colaboração com a gestora de ativos E Fund Management, concedendo empréstimos e funcionando como corretora, à qual se pode aceder através de uma aplicação disponível no sistema operativo da Xiaomi.

A empresa foi considerada, no ano passado, a startup tecnológica mais valiosa do mundo, avaliada em 46 mil milhões de dólares (cerca de €40,5 mil milhões), no mesmo ano em que recebeu mais de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de €967 milhões de euros) de investimento.

As capacidades de liderança do presidente da empresa, Lei Jun, várias vezes comparado a Steve Jobs, são reconhecidas como determinantes para este sucesso. Também o vice-presidente, Hugo Barra, é considerado uma peça fundamental, pelo conhecimento adquirido quando trabalhou na divisão de Android da Google.

No entanto, nem tudo tem sido perfeito no percurso da Xiaomi. Algumas questões de patentes têm sido levantadas, nomeadamente uma denúncia feita pela Ericsson que levou à proibição das vendas na Índia.

Apple vence ‘Apple chinesa’
As semelhanças entre a Xiaomi e a Apple são reconhecidas, razão pela qual é considerada a ‘Apple chinesa’. Não só no design dos produtos se fazem notar traços comuns, mas também na apresentação gráfica do software MIUI.

Com o mercado de smartphones da China a registar a primeira queda nas vendas (-4,3%) dos últimos seis anos, a Xiaomi foi afastada da liderança no primeiro trimestre de 2015.

O mercado de smartphones chinês é agora liderado pela Apple, um cenário antecipado por alguns especialistas. Os dados divulgados pela consultora International Data Corportation indicam que foram vendidas 98,8 milhões de smartphones na China, com a Apple a crescer 62,1% e a deter uma quota de mercado de 14,7%. A Xiaomi passou para a segunda posição, registando um crescimento de 42,3% e uma quota de mercado de 13,7% nos primeiros três meses do ano. A maior redução das vendas foi da Samsung (-53%), que em tempos liderou o mercado chinês, e que no arranque do ano viu a sua quota de mercado cair para os 9,7%.

A liderança da Apple é explicada pela grande procura dos últimos modelos lançados — iPhone 6 e iPhone 6 Plus — a que a Xioami respondeu com o Note e o Note Pro, ainda que com preços distintos. Na China, o iPhone 6 Plus (64GB) custa 976€, enquanto o Note Pro (64GB) custa apenas 425€.

A Xiaomi não está presente em Portugal. Para os portugueses mais interessados, os produtos podem ser encontrados na loja Assismática e em algumas plataformas de comércio eletrónico internacionais.