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Facebook começa a alojar e a distribuir diretamente notícias de sites de informação

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O Facebook explica o novo projecto neste endereço: http://media.fb.com/2015/05/12/instantarticles/

Captura de ecrã

"The New York Times", "The Guardian", BBC, "National Geographic" ou "Bild" são alguns dos meios que entram na fase inicial de distribuição direta de notícias nesta rede social. Meios podem perder tráfego direto nos seus sites, mas ganham visibilidade nos 1,4 mil milhões de utilizadores do Facebook.

O Facebook vai começar a publicar esta quarta-feira as primeiras notícias alojadas diretamente na sua nova plataforma de distribuição de informação produzida por meios de comunicação social. O projeto foi negociado durante vários meses com diversos grupos de media em todo o mundo e promete ser um novo momento de rutura em relação ao modelo de negócio da comunicação social. 

O arranque desta nova operação inclui a participação de nove grupos de comunicação social, proprietários de meios como o jornal norte-americano "The New York Times", o diário britânico "The Guardian", a televisão pública britânica BBC, a revista "National Geographic" ou os títulos alemães "Bild" e "Spiegel".  

A partir desta quarta-feira, o Facebook começará assim a publicar notícias como se fossem posts originais, que podem ser lidos de imediato na rede social sem necessidade de encaminhamento para a página online dos meios que detêm a propriedade sobre a informação produzida. 

O carregamento mais rápido da informação, o acesso a informação complementar sobre as notícias ou a disponibilização de novas ferramentas de interatividade entre os meios e os seus leitores serão algumas das vantagens desta nova ferramenta de distribuição de notícias do Facebook. 

A forma como as notícias serão apresentadas será articulada entre os proprietários da informação e os gestores da rede social. Aos grupos de media será ainda facultado acesso ao mesmo tipo de dados que hoje já têm nos seus sites, sobre a quantidade de visualizações dos artigos ou os seus comportamentos de leitura e partilha de notícias. 

O novo serviço do Facebook foi inicialmente recebido com forte ceticismo por parte dos meios de comunicação social, por entenderem que o alojamento e publicação direta de notícias no Facebook constituiria uma forte ameaça ao tráfego de leitores nos sites dos próprios media. Mas, segundo os relatos feitos pela imprensa internacional, houve dois fatores determinantes para desbloquear os receios iniciais durante as negociações: a constatação de que os novos hábitos de consumo de informação são irreversíveis e o facto de o Facebook ter mais de 1,4 mil milhões de utilizadores. 

Dados citados esta quarta-feira pelo próprio "The New York Times" indicam, de resto, que o Facebook já é responsável por cerca de 15% do tráfego gerado na sua página online. Uma tendência que terá mesmo duplicado nos primeiros meses de 2015. Consultores e especialistas internacionais hoje citados em vários meios encaravam, por isso, esta aliança como inevitável. "O Facebook é onde a audiência está. É demasiado massivo para ignorar", disse, por exemplo, um antigo diretor da NBC, Vivan Schiller, ao "The New York Times". 

O modelo de negócio acordado entre o Facebook e os grupos de media que acederam participar nesta fase inicial do projeto prevê que os meios podem ficar responsáveis pela venda direta de publicidade nos artigos distribuídos pela rede social ou permitir que seja o Facebook a fazer essa gestão. Neste último caso, se for o Facebook a vender o espaço publicitário associado às notícias, a rede social ficará com 30% do valor negociado com o anunciante.