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TAP atrasa pagamentos a fornecedores para garantir salários

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PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP / Getty Images

Transportadora está a alongar prazos de pagamento a fornecedores desde o início do ano, para esticar a tesouraria – e manter os salários em dia. Mas vêm aí cortes de custos.

A TAP está a praticar prazos de pagamento a fornecedores mais longos desde o início do ano. Faturas que habitualmente eram pagas a 30 dias estão agora a ser pagas a 60 ou a 90 dias. É a forma de esticar a tesouraria da empresa, que tem sido prejudicada sobretudo pela descida de receitas. A greve que terminou esta semana agravou o problema, deixando a tesouraria em risco de pagamentos a meio do verão. Nesse caso, será necessário aumentar o endividamento da transportadora.

Oficialmente, ninguém comenta estas informações apuradas pelo Expresso, que já revelou na sua edição impressa que os resultados do primeiro trimestre deste ano ficaram abaixo do ano passado. O principal fator de pressão sobre as receitas da TAP tem sido a descida da tarifa média, não só para manter a oferta competitiva face à concorrências, mas sobretudo para responder às mudanças cambiais, que prejudicaram a TAP, que tem grande parte das receitas originadas em reais.

A greve veio prejudicar a situação, causando ainda maior stresse não só sobre os resultados da companhia, mas sobretudo sobre a tesouraria. Até à greve, a TAP estava a pagar dívida com dívida, mas não aumentado o valor total do capital em dívida, uma vez que em termos operacionais a empresa continuava com margem positiva. Mas mesmo tendo a greve terminado com um impacto inferior ao que a administração da empresa e o governo receavam, pode ser possível aumentar a dívida durante o verão para suprir desequilíbrios.

A privatização, caso termine com sucesso, implicará um aumento de capital da empresa, o que resolve parte deste stresse financeiro. No entanto, tendo em conta que a operação ficará pendente de aprovações regulatórias, essa injeção de capital não poderá acontecer a não ser perto do final do ano. Até lá, será a dívida a resolver o problema.

Mas não só: o governo já anunciou que a empresa vai racionalizar custos, embora não tenha dito de que forma. Não está ainda em causa uma reestruturação profunda, uma vez que o governo não quer perturbar a privatização, que está na fase de entrega de propostas. Esse plano de reestruturação profundo levaria a despedimentos e encerramento de rotas.