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Opway contesta dívidas apontadas pela Justiça

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A construtora presidida por Almerindo Marques surge no processo especial de revitalização com uma dívida de 675 milhões de euros, mas a administração garante que a dívida real é menor, estando a impugnar créditos de 380 milhões de euros.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A administração da construtora Opway discorda dos montantes de dívida identificados pelo Tribunal da Comarca de Lisboa no âmbito do processo especial de revitalização (PER) da Opway Engenharia. A lista provisória de credores, publicada a 6 de maio, aponta à empresa dívidas de cerca de 675 milhões de euros (incluindo 6,4 milhões de euros de juros), mas a Opway garante que a sua dívida é bem menor.   

A Opway explica que no montante de 675 milhões de euros estão incluídos 380 milhões de euros de "créditos contingentes que, embora reclamados, já não correspondem a qualquer compromisso por parte da Opway Engenharia". "Obviamente que estes créditos estão a ser impugnados pela Opway, porque simplesmente, não existem", afirmou ao Expresso o administrador financeiro do grupo, Paulo Curado.  

Na passada quarta-feira, o  Expresso avançou que o PER da Opway Engenharia revelava dívidas de 675 milhões de euros, dos quais 272 milhões à Caixa Geral de Depósitos (CGD), tendo ainda outras instituições bancárias com créditos relevantes, como o BPI (119 milhões de euros) e o BCP (47,4 milhões).  

A administração da Opway contesta, todavia, grande parte dos montantes que a lista provisória de credores publicada no portal Citius elenca, lembrando que "a listagem (provisória) dos créditos tem como objetivo apurar a contagem de votos dos credores".   

Nessa lista, sublinha a administração da construtora, "encontram-se somas de créditos de natureza muito diferente, que nalguns casos, nem risco de crédito já representam, num montante global de 110,6 milhões de euros". Aí se incluem garantias bancárias de 102,4 milhões de euros que, alega a Opway, "garantem a realização de obras, que na sua maioria, estão terminadas, sendo por conseguinte, quase nulo ou residual, o risco associado às mesmas".  

A administração presidida por Almerindo Marques fala ainda, no PER da Opway Engenharia, de "situações de mera duplicação do valor dos créditos constantes da lista", ou porque o mesmo crédito foi reclamado por mais que uma entidade, ou porque a natureza dos créditos é diferente, nomeadamente a soma de créditos por fiança de uma entidade a créditos já inscritos na lista pelo credor principal. Além disso, acrescenta a empresa, há "créditos litigiosos de natureza fiscal reclamados pelo Ministério Público, no valor de 9,4 milhões de euros, que se encontram, há vários anos, impugnados e garantidos".  

As dívidas assumidas pela Opway Engenharia são 111 milhões de euros a bancos e 23 milhões de euros a fornecedores, havendo ainda 27 milhões de euros a empresas do Grupo Espírito Santo, que, pela sua natureza de crédito subordinado, não têm exigibilidade, refere a Opway.

Quanto à Opway SGPS, que também tem em curso um PER, a administração diz dever 1,3 milhões de euros a bancos, 70 mil euros a fornecedores e 51,5 milhões de euros a empresas do Grupo Espírito Santo, mas, também aqui, como crédito subordinado.  

O grupo Opway, que durante anos pertenceu ao Grupo Espírito Santo, foi recentemente adquirido através de uma operação de compra por parte da equipa de gestão (liderada por Almerindo Marques). Segundo Paulo Curado, a escritura de formalização dessa aquisição "está em vias de ser realizada".