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Índice de Preços da FAO regista o valor mais baixo dos últimos cinco anos

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As previsões da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) apontam para um Índice de Preços dos Alimentos de 171 pontos, o valor mais baixo desde 2010. 

O relatório semestral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO aponta para um declínio de 1,5% da produção mundial de cereais em relação ao valor recorde de produção do ano passado. Esta variação deve-se sobretudo à redução da superfície de plantação de milho. No entanto, segundo a informação divulgada o impacto será amortizado por níveis “excepcionalmente altos” dos actuais stocks.

A previsão inicial da FAO para a produção mundial de cereais este ano ascende a 2509 milhões de toneladas, um valor abaixo do ano passado, mas que ainda assim está quase 5% acima da média dos últimos 5 anos.

Esta diminuição irá reduzir as reservas na temporada de 2015/2016 em cerca de 3%, com uma diminuição mais rápida para os cereais secundários e para o arroz do que para o trigo.

De acordo com o relatório, “prevê-se que a factura mundial das importações de alimentos atinja, em 2015, o seu nível mais baixo em cinco anos", devido sobretudo ao declínio internacional dos preços, baixas taxas de transporte e de um dólar americano forte. Espera-se também que os países com baixos rendimentos beneficiem dessa descida dos custos de importação.

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que mede os preços dos cinco principais produtos alimentares nos mercados internacionais, desceu 1,2% em abril, relativamente ao mês anterior, atingindo os 171 pontos, o valor mais baixo desde Junho de 2010. A maior descida de preços foi sentida nos produtos lácteos, ainda que essa descida tenha também afectado produtos como o açúcar, os cereais ou os óleos vegetais. Contrariamente, subiu o preço da carne, o primeiro aumento desde agosto do ano passado.

Segundo o relatório Food Outlook, “a variação de circulação e os desenvolvimentos macroeconómicos podem ter implicações importantes para os mercados de novo em 2015-16”. Neste sentido, os preços dos alimentos a nível internacional têm elevada probabilidade de se manter sob pressão no sentido de serem mais baixos, devido a grandes abastecimentos e à força do dólar americano.

No mercado de alimentos básicos não é esperado que a redução da produção projectada para os cereais influencie o consumo alimentar, uma vez que a maioria destes alimentos se encontra em excedente.

Espera-se que a produção de produtos lácteos cresça cerca de 2% em 2015, com os preços internacionais mais baixos a fazer flutuar as importações em África. Por outro lado, a abolição do sistema de quotas de leite vai impulsionar a produção, tendo sido apontado como um dos principais responsáveis pela queda mensal de 6,7% no índice do preço deste tipo de produtos.

Impulsionada pela Índia, União Europeia e Austrália, a produção de açúcar irá aumentar ligeiramente, continuando a ultrapassar o consumo pela quinta temporada consecutiva. No que diz respeito à carne de vaca, espera-se que a sua produção mundial aumente apenas 0,2% no próximo ano, sendo que para a carne em geral se prevê um crescimento de 1%.

O peixe, por seu lado, é cada vez mais popular e procurado na dieta mundial, esperando-se assim um crescimento de 5% no próximo ano. As previsões apontam também para uma recuperação da pesca de captura, que no ano passado foi afectada pelo fenómeno climático El Niño.

O relatório Food Outlook inclui ainda uma secção que aborda a volatilidade dos preços, evidenciando a necessidade de investigar se esta volatilidade regressou aos níveis considerados normais.