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Dívida externa cresce 21,2 mil milhões de euros

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O Estado é o principal responsável pela subida. Descida de juros agrava valor das obrigações.

Depois de um ano 2012 em que até encolheu, a dívida externa bruta agravou-se em 21,2 mil milhões de euros no ano passado. Os números do Banco de Portugal (BdP) mostram que este salto se deveu integralmente à subida do endividamento do Estado no exterior, nomeadamente através de títulos de longo prazo. Mais concretamente, foram as Obrigações do Tesouro detidas no exterior que fizeram a dívida externa disparar em cerca de 12% do PIB.

Como é que, num período em que as contas externas melhoraram e depois de uma descida do endividamento, houve esta inversão brusca? A resposta é simples: tem tudo a ver com a forma de medir a dívida externa. Esta medição segue as regras padronizadas do Fundo Monetário Internacional e contabiliza os títulos ao seu valor de mercado. Como as obrigações do Estado no exterior tiveram uma valorização significativa em 2014, em sentido contrário às taxas de juro (yields, na linguagem financeira), a dívida portuguesa lá fora aumentou.

O manual da dívida externa do FMI define o valor de mercado da dívida, “como a melhor indicação do que os agentes económicos atualmente atribuem a um crédito específico, fornece a melhor medida do custo de oportunidade para o devedor e credor”. Na verdade, os Estados podem recomprar a dívida antes da maturidade e beneficiar da situação. Da mesma maneira, os credores podem igualmente vender os títulos antes do vencimento.

Não foi a única razão mas foi responsável por cerca de dois terços do agravamento do endividamento externo. O restante, também no Estado, deveu-se à subida do volume de empréstimos na grande maioria associada aos empréstimos da troika.

Assim, a dívida externa bruta atingiu 406,6 mil milhõesde euros no ano passado (235% do PIB), depois de se ter situado em 385,5 mil milhões de euros (227,6% do PIB). Só que, na verdade, à exceção das Administrações Públicas, os outros sectores da economia mantiveram o seu endividamento no exterior com descidas ou subidas de menor dimensão.

A dívida externa do banco central recuou de 77,7 mil milhões de euros para 75,1 mil milhões de euros e na banca caiu de 86,7 mil milhões de euros para 83,3 mil milhões de euros, enquanto as empresas (e outros sectores) tiveram uma subida de 43,9 mil milhões de euros para 46,5 mil milhões de euros e o investimento direto estrangeiro cresceu de 31,3 mil milhões de euros para 33,2 mil milhões de euros.

A dívida externa líquida, que desconta os créditos de residentes sobre o exterior, também se agravou no ano passado de 172 mil milhões de euros (101,8% do PIB) para 182,4 mil milhões de euros (105,4%).

Medidas alternativas

O endividamento líquido é, na realidade, o mais adequado para avaliar a dívida externa do país porque desconta os ativos sobre o exterior. A metodologia da dívida externa do FMI não é a única forma de avaliar a ‘situação patrimonial’ externa de uma economia. 

A alternativa é olhar para a posição de investimento internacional (PII) e que mede a diferença entre o investimento português no exterior e os investimentos externos na economia portuguesa. No final de 2014, a PII somava 193,1 mil milhões de euros com uma descida face ao 200,9 mil milhões de euros em 2013.

A diferença entre a PII e a dívida externa é que, na primeira, estão incluídos passivos financeiros de participações (ações ou unidades de participação em fundos de investimento, entre outros) e ainda todos os outros créditos entre residentes e não-residentes.

Em qualquer caso, a diferença entre PII e dívida externa não é significativa e ambas mostram a situação de elevado endividamento da economia nacional e que, mesmo com excedentes externos, demorará a diminuir.