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Opway Engenharia deve 272 milhões de euros à CGD

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Construtora que chegou a estar sob controlo do Grupo Espírito Santo tem centenas de credores. Estado português é um deles, no valor de quase 10 milhões de euros.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O processo especial de revitalização (PER) da Opway Engenharia, construtora liderada por Almerindo Marques, vai ter como peça-chave o Estado português: a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é o maior credor da empresa, tendo a receber 272 milhões de euros, ou seja, 40% dos 675 milhões de euros que a construtora do túnel do Marão tem em dívida.   

A lista provisória de credores da Opway Engenharia revela um rol de dívidas bem maior do que o da Opway SGPS, que também tem um PER em curso, no qual a CGD é credora de 95 milhões de euros, conforme o Expresso já noticiou no início de fevereiro. A exposição do banco estatal à construtora é maior: os 272 milhões devidos pela Opway Engenharia incluem vários contratos de financiamento, não só da CGD mas também da Caixa Leasing e Factoring.

A lista de créditos revela ainda que, na esfera do Estado português, também o Ministério Público reclama da Opway Engenharia mais de 9,4 milhões de euros, o que corresponde a 1,4% do total de dívidas da construtora portuguesa.  

Fundada em janeiro de 2008 como resultado da aquisição da Sopol pela Opca, a Opway Engenharia foi durante anos uma das mais relevantes construtoras nacionais, acabando por ver os seus resultados penalizados pela crise que se abateu sobre o setor da construção.  

Entre os projetos mais relevantes da Opway contam-se as obras da subconcessão rodoviária do Douro Interior, a nova sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, e a construção do túnel do Marão. Já este ano a empresa, que estava sob o controlo do Grupo Espírito Santo, foi leiloada, tendo sido adquirida por um grupo de gestores liderado por Almerindo Marques.   

A lista de credores da Opway Engenharia mostra que o universo Espírito Santo permanece amplamente ligado à empresa: o BES tem a receber mais de 62 milhões de euros, a Espírito Santo International e a Espírito Santo Financière têm créditos de 57 milhões de euros cada uma e a Rioforte, por seu turno, é credora de 3,3 milhões.   

No sector financeiro há outras entidades com importantes créditos sobre a Opway Engenharia, com destaque para o BPI. O banco liderado por Fernando Ulrich é credor de 119 milhões de euros. Já o BCP tem na Opway Engenharia 47,4 milhões.   

O leque de credores, que inclui centenas de empresas, abrange ainda o banco Popular (6,2 milhões de euros) e o Santander (3,2 milhões), segundo o documento agora publicado pela unidade central do tribunal da Comarca de Lisboa.