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Banco de Portugal: crescimento das exportações permite voltar a importar

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José Ventura

Aumento do peso das exportações no PIB, de 30% para 40% em quatro anos, dá margem para aumento das importações sem comprometer equilíbrio externo.

Os últimos anos do programa da troika ficaram marcados por "ajustamentos importantes em termos do peso das exportações e importações no Produto Interno Bruto (PIB) e também no equilíbrio entre receita e despesa primária das administrações públicas", destaca o Banco de Portugal no Boletim Económico de maio, divulgado esta quarta-feira.

Numa análise à evolução da economia portuguesa em 2014, o BdP salienta que "estes ajustamentos proporcionam condições mais favoráveis para a continuação da correção dos desequilíbrios macroeconómicos e não poderão ser revertidos sem afetar de uma forma significativa as perspetivas de crescimento da economia".

Os números são claros. Entre 2010 e 2014, o peso das exportações de bens e serviços no PIB aumentou 10 pontos percentuais, chegando aos 40%, "refletindo expressivos aumentos de quotas de mercado".

O peso das importações no PIB também aumentou, mas muito menos, apenas dois pontos percentuais entre 2010 e 2014, para 39%. Desta forma, o peso das exportações no PIB ultrapassou, por fim, o das importações.

Ao mesmo tempo, entre 2010 e 2014, o peso do consumo privado no PIB manteve-se estável, nos 66%, o peso do consumo público diminuiu dois pontos percentuais, para 19%, e o peso do investimento (medido pela Formação Bruta de Capital Fixo) recuou 6 pontos percentuais, para 15%.

Resultado: "O aumento do peso das exportações no produto permite criar margem para que, em condições de crescimento da economia internacional, o aumento das importações decorrente do crescimento do consumo privado e do investimento não se traduza em desequilíbrios externos", frisa o BdP no documento.

Uma evolução-chave, já que a correção dos desequilíbrios externos foi um dos principais resultados positivos do processo do ajustamento português. "A manutenção em 2014 de um saldo positivo na balança corrente e de capital, embora inferior ao registado no ano anterior, sinaliza uma inversão do lingo processo de aumento do endividamento externo, essencial para a manutenção de condições de normalidade no acessos aos mercados",  afirma o Banco de Portugal.