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Alemães investem no têxtil em Portugal

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Capacidade de investigação e desenvolvimento da engenharia lusa convenceu o grupo Mehler

Margarida Cardoso

Em Landim, Famalicão, há uma têxtil alemã a investir 10 milhões de euros para concentrar em Portugal todas as competências do grupo na produção de telas para correias de transporte e desenvolver outros têxteis técnicos.

"O know how de Portugal nas áreas de desenvolvimento de produto e inovação foi decisivo para a decisão do grupo deslocalizar a produção da  República Checa para Famalicão",explica Alberto Tavares, presidente da Olbo&Mehler, uma empresa que integra o grupo Mehler, controlado pelos alemães da KAP.

A história da Olbo&Mehler em Portugal começa em 1996, com um investimento de 30 milhões de euros para aproveitar a experiência textil lusa, mão de obra qualificada no sector e a posição geográfica do país.

Especializada na produção de tecidos para incorporar em telas de transporte, designadamente para a indústria mineira, a unidade nacional acabou por conquistar toda a produção do grupo nesta área em 2014. O número de trabalhadores aumentou 50%, para os 275 efetivos, os teares duplicaram, para 100, e o volume de negócios atingiu 42 milhões de euros, contra 28 milhões registados em 2012.

As previsões para 2015 apontam para vendas de 45 milhões de euros, garantidas a 100% na exportação para 39 países, da Alemanha, com uma quota de 25%, à Austrália, Índia, Brasil, México, Chile, EUA e Áustria.

A lista de clientes inclui nomes como a Continental e Dunlop.

Na nova organização do grupo, a República Checa limita-se a produzir fio, enquanto Portugal faz tudo o que tem características técnicas e valor acrescentado.

Para Alberto Tavares, o segredo do Made in Portugal neste caso "está diretamente ligado à qualidade do ensino superior e concretamente à área de engenharia de materiais da universidade do Minho", sublinhou o gestor em declarações ao Expresso na feira de têxteis técnicos Techtextil, em Frankfurt.

Ainda com um investimento em curso de 2,5 milhões de euros numa linha de tratamento de tecidos para novas competências, a empresa está também a trabalhar com a metodologia Kaizen de melhoria contínua, tem dois laboratórios internos e tem vindo a desenvolver novas soluções para têxteis técnicos.

Num grupo com 175 anos de historia, cotado na bolsa de Frankfurt, a empresa está a trabalhar também com a indústria automóvel, e farmacêutica. Para o maior fabricante do mundo de corrimões para escadas rolantes, na Áustria, faz o tecido que recheia os corrimões. Para um laboratório americano, faz o tecido usado como molde na produção das borrachas dos frascos de insulina.

Mas na produção mensal de 800 a 1000 toneladas de tecido, dividida por 3 turnos, cabem, ainda, outros produtos como tecidos para coletes à prova de bala. No futuro próximo, haverá mais novidades. Através de uma parceria com o Centi (Centro de Nanotecnologia e Materiais Tecnológicos e Inteligentes), Citeve (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal) e Universidade do Minho, a Olbo&Mehler está a desenvolver produtos específicos resistentes ao fogo, prontos a resistir a temperaturas de 800 graus Celsius, e soluções antibacterianas.

Uma das missões a cumprir, por desafio de um cliente, é encontrar um tecido capaz de resistir a uma chama direta a incidir sobre ele. Outra tarefa, a pedido de um fabricante de satélites, é encontrar um substituto têxtil da fibra de vidro resistente a grandes amplitudes térmicas.