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Juncker. A Grécia tem que dar “maiores passos” para um acordo

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A instituição liderada por Jean Claude-Juncker reviu em baixa as previsões económicas para a Grécia

FOTO Genya Savilov/Getty

Presidente da Comissão Europeia garante que a saída da Grécia da zona euro não é uma hipótese e deixa alerta: “Os gregos não têm outra escolha”, diz Jean Claude-Juncker. 

Na segunda-feira eram reconhecidos “progressos” por ambas as partes – Grécia e Bruxelas - hoje há alertas. O discurso do Executivo comunitário é  bem mais prudente. É preciso ir mais longe, avisa Bruxelas. Numa altura em que o Executivo de Atenas prossegue as negociações com o chamado Grupo de Bruxelas - constituído pela Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE)- o presidente da CE, Jean Claude-Juncker alertou que os gregos têm que tomar passos mais concretos com vista a um acordo.

“A Grécia tem que tomar maiores passos na nossa direção e nós [Comissão Europeia] temos que estar prontos para responder de forma adequada a esses passos. Os gregos não têm outra escolha”, afirmou Juncker esta manhã durante um discurso da Universidade belga de Leuven.  

O líder comunitário reiterou, contudo, que a saída da Grécia do euro não constitui uma hipótese em aberto, sendo que nesse cenário o Reino Unido “faria tudo” o que estivesse ao seu alcance para acabar com a zona da moeda única.

“É por essa razão que o Gexit [saída da Grécia da zona euro] não é uma opção. (…) O mundo anglo-saxónico faria tudo para acabar com a área da moeda única”, acrescentou Juncker, citado pela Reuters.  

Enquanto uma nova ronda negocial foi retomada na segunda-feira, depois de ter arrancado na última quinta-feira - com a coordenação do ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Euclid Tsakalotos, - têm decorrido paralelamente encontros entre o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, e outros responsáveis.

Na segunda-feira, Varoufakis reuniu-se com o seu homólogo francês Michel Sapin, em Paris, sublinhando que o encontro foi “útil”, enquanto o governante deverá encontrar-se ainda com o Comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, em Bruxelas.

O vice-primeiro ministro helénico Yannis Dragasakis tem, por sua vez, encontro marcado também esta tarde com o Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em Frankfurt.

As movimentações gregas aceleram numa altura em que o país enfrenta problemas de liquidez  e está dependente do desembolso de uma tranche de 7,2 mil milhões de euros do empréstimo. O objetivo é alcançar um acordo até ao próximo dia 11 de maio, data de um encontro do Eurogrupo.

Expectativas díspares
Apesar dos "sinais encorajadouros" manifestados pela Comissão Europeia e o governo grego na segunda-feira, as expectativas quanto a  um acordo são díspares entre os ministros europeus das Finanças. 

Do lado alemão, Wolfang Shauble mostrou-se "cético" quanto a um consenso até ao dia 11, enquanto o espanhol Luís de Guindos disse estar "confiante" de que a Grécia e os credores vão alcançar um acordo nos próximos dias".

Maria Luís Albuquerque afirmou, por sua vez, que há motivos para ter "esperança" nas negociações, garantindo que a zoan euro não está a preparar nennhum plano B para o caso de não ser possível alcançar um acordo.

 "Tem sido difícil, mas vamos continuar a ter esperança de que um bom resultado sairá desta discussão", declarou esta terça-feira a ministra das Finanças a uma estação de televisão britânica, citada pela Bloomberg.

Também o vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, disse estar positivo quanto ao desfecho das negociações gregas, assegurando ainda que não há razões para alarme caso esse acordo não seja alcançado. “Toda a gente reconhece que o grau de stresss e vulnerabilidade na zona euro mudou completamente. Não há sinais de contágio”, sublinhou Constâncio na segunda-feira ao jornal económico alemão “Het Financieele Dagblad”.

Euclid Tsakalotos já avisou que há "linhas vermelhas", ou seja, alguns pontos - como o corte das pensões e as reformas laborais - em que o governo grego se recusa a ceder.

Esta terça-feira, a Comissão Europeia reviu em baixa o cenário macroeconómico grego, antecipando um crescimento do PIB de apenas 0,5% para este ano, contra a estimativa de 2,5% avançada no inverno, em fevereiro.