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Bruxelas: consumo mais elevado explica muito da redução esperada no défice

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Bruxelas espera um crescimento do consumo privado de 2%

FOTO Tiago Petinga/Lusa

Comissão Europeia baixou em uma décima, para 3,1%, a previsão para o défice público este ano. Tudo por causa da recuperação da economia, e em particular do consumo privado. Mesmo assim, caso os números se confirmem, Portugal não sai do procedimento de défices excessivos

É a recuperação da economia e, em particular, o desempenho mais forte do consumo privado, que explicam a redução em 0,1 pontos percentuais da previsão da Comissão Europeia (CE) para o défice das contas públicas portuguesas este ano. Nas projeções de primavera, divulgadas esta terça-feira, Bruxelas aponta para um défice de 3,1% do PIB, o que compara com a previsão de 3,2% divulgada em fevereiro, nas projeções de inverno.

“A ligeira melhoria em relação às projeções de inverno é o resultado do revisão do cenário macroeconómico. Em particular, devido ao consumo privado e emprego mais elevados, as receitas de impostos diretos e indirectos , bem como das contribuições sociais, estão projectadas para aumentar ligeiramente”, lê-se nas duas páginas do documento dedicadas a Portugal.

Bruxelas espera agora um crescimento do consumo privado de 2%, o que compara com a projeção de 1,8% divulgada em fevereiro. No ano passado, o consumo privado em Portugal cresceu 2,1%.

Quanto ao emprego, a CE aponta para um aumento este ano de 0,6%, depois de um crescimento de 1,4% em 2014. A previsão de fevereiro era, contudo, ligeiramente superior. Nessa altura Bruxelas previa um aumento do emprego de 1,8% em 2014 e de 0,7% em 2015.

Apesar de prever um défice menor do que em fevereiro, a CE deixa um alerta: “A redução do défice é baseada em factores cíclicos, em vez de em medidas estruturais adicionais”.

Mais ainda,segundo a previsão da CE, Portugal não conseguirá sair este ano do procedimento de défices excessivos, porque continuará a ter um saldo negativo das contas públicas superior a 3% do PIB.

Um cenário que o Governo tem rejeitado, insistindo na meta de 2,7%, sem políticas adicionais.

Qaunto ao PS, o relatório preparado pelos 12 economistas que deverá servir de base para o programa eleitoral do partido na área económica, nada diz sobre 2015. O trabalho incide apenas no horizonte da próxima legislatura, a partir de 2016, nada incluindo sobre os últimos meses de 2015.

O resultado é claro: se os números da CE se confirmarem, o próximo Governo, seja do PS ou do PSD/CDS, será confrontado, a poucos meses do fim do ano, com a necessidade de tomar medidas adicionais para assegurar um défice público inferior a 3% do PIB.

Por fim, quanto a 2016, a previsão da CE para o défice público português manteve-se inalterada, nos 2,8%, assumindo que não há alterações nas políticas já anunciadas pelo Governo.