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PT pagou 14,3 milhões a administradores no ano do colapso

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Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, numa foto de arquivo, quando ambos lideravam a Portugal Telecom, como CEO e chairman.

No ano do escândalo do investimento no Grupo Espírito Santo, a PT distribuiu 14,3 milhões de euros pelos seus administradores. Sem contar com mais 15 milhões que nega pagar a Zeinal e Granadeiro. O “campeão” foi um administrador que se demitiu: recebeu quatro milhões de euros. O administrador que mais dinheiro recebeu de toda a bolsa portuguesa é brasileiro.

Quando no início do verão do ano passado a Oi entrou em conflito com a Portugal Telecom, depois de o Expresso revelar o investimento ruinoso da empresa em papel comercial do Grupo Espírito Santo, os brasileiros tomaram várias decisões de afastamento dos portugueses. No meio dessas decisões, um administrador brasileiro saiu da PT Portugal, mantendo-se na Oi. O seu nome é Shakhaf Wine. E a sua saída rendeu-lhe uma indemnização de 2,7 milhões de euros. Somando o salário fixo recebido até então e vários prémios, o gestor acabou por embolsar quatro milhões de euros num só ano.

Este foi o valor mais alto recebido por um administrador da PT no ano passado. Apesar de outros administradores terem saído da empresa, como Henrique Granadeiro e Luís Pacheco de Melo (Zeinal Bava também saiu, mas da Oi), nenhum destes saiu com indemnização. Aliás, como foi noticiado pelo Expresso em primeira mão em abril, a PT recusou pagar um total de 15 milhões de euros a Zeinal Bava, Henrique Granadeiro e Luís Pacheco de Melo em prémios alegadamente devidos. A PT decidiu não pagar esses 15 milhões, tendo em conta os acontecimentos no ano passado. Mesmo assim, outros 14,3 milhões foram pagos.

As contas são feitas na edição nas bancas desta manhã do Negócios, a partir do relatório de Governo da Sociedade da Portugal Telecom. Ao todo, a empresa pagou 14,33 milhões de euros aos seus membros de administração, valor que acumula diversas variáveis: remunerações fixas de 2014, remunerações variáveis de 2013 (pagas apenas no ano seguinte), remunerações variáveis de 2010 (idem), prémio pela fusão com a Oi e indemnizações.

Eis a lista de recebimentos dos administradores da Portugal Telecom:

Henrique Granadeiro: 1,85 milhões de euros. O antigo chairman da empresa demitiu-se na sequência do escândalo do investimento no papel comercial da PT no GES. O dinheiro recebido resulta do somatório de €616 mil de remuneração fixa de 2014, €431 mil de remuneração variável de 2010 e €800 mil de prémio pela fusão da Vivo.

Zeinal Bava: 1,61 milhões de euros. Tendo saído da PT para a Oi em 2013, o gestor acabou por sair em conflito com os brasileiros no ano passado, na sequência do escândalo do investimento no papel comercial da PT no GES. Por já não estar na PT em 2014, não recebeu salário da PT (recebeu da Oi, mas essa informação não está disponível no relatório da PT, agora revelado. O dinheiro da PT recebido resulta do somatório de €661 mil de remuneração fixa de 2010 (pagos apenas em 2014) e €1 milhões de prémio pela fusão da Vivo.

Luís Pacheco de Melo: 1,38 milhões de euros. O administrador financeiro da PT demitiu-se na sequência do escândalo do investimento no papel comercial da PT no GES. O dinheiro recebido resulta do somatório de €487 mil de remuneração fixa de 2014, €237 mil de remuneração variável de 2013, €421 mil de remuneração variável de 2010 e €238 mil de prémio pela fusão da Vivo.

Carlos Duarte: 1,2 milhões de euros. O dinheiro recebido pelo administrador executivo da PT em 2014 resulta do somatório de €487 mil de remuneração fixa de 2014, €215 mil de remuneração variável de 2013, €421 mil de remuneração variável de 2010 e €88 mil de prémio pela fusão da Vivo.

Manuel Rosa da Silva: 1,26 milhões de euros. O dinheiro recebido pelo administrador executivo da PT em 2014 resulta do somatório de €487 mil de remuneração fixa de 2014, €215 mil de remuneração variável de 2013, €421 mil de remuneração variável de 2010 e €137 mil de prémio pela fusão da Vivo.

Shakhaff Wine : 4 milhões de euros. O dinheiro recebido pelo administrador executivo da PT que se demitiu em 2014 resulta do somatório de €489 mil de remuneração fixa de 2014, €215 mil de remuneração variável de 2013, €421 mil de remuneração variável de 2010 e €288 mil de prémio pela fusão da Vivo, a que acrescem 2,7 milhões de euros de indemnização.

Outros administradores: 2,8 milhões de euros. Ao todo, a Portugal Telecom pagou remunerações a 26 administradores. Além dos supracitados, os demais 20 receberam um total de 2,4 milhões de euros em remunerações fixas, mais 430 mil euros em remuneração variável de 2013.

Em 2014, a PT teve um prejuízo de 289 milhões de euros. A cotação da empresa descambou depois da revelação do escândalo do investimento em papel comercial no Grupo Espírito Santo, cuja autoria ninguém assumiu por inteiro. O investimento de 897 milhões de euros em papel comercial do GES nunca foi reembolsado.