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Caldeira Cabral. "O PS reduziu mais défice num ano que o PSD/CDS em dois"

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Manuel Caldeira Cabral chama "ridícula" à estratégia que o Governo adotou para aumentar as exportações, com base na compressão salarial, e diz que estas medidas "só quiseram facilitar a flexibilidade e o despedimento"

Tiagp Miranda

"O PS reduziu mais défice num ano do que a maioria PSD/CDS em dois - e com muito menos austeridade", explica Manuel Caldeira Cabral, um dos 12 economistas que elaboraram uma proposta de programa macroeconómico para os socialistas.

Em entrevista ao “Jornal de Notícias” desta segunda-feira, Manuel Caldeira Cabral argumenta que os problemas em Portugal "não começaram com a crise nem acabam no défice ou na dívida" e que "em 2014 o cenário é muito pior do que em 2011 em quase todas as frentes económicas: mais dívida, menos capacidade de produção, o PIB potencial baixou, menos investimento, menos pessoas, desinvestiu-se na ciência e ensino superior e as instituições merecem menos confiança", diz o economista.  

Na opinião de Caldeira Cabral, o documento "Uma Década Para Portugal", encomendado pelo PS, não tem espaço para subjetividade e é uma ferramenta que procura dar "resposta a problemas sociais e económicos que não foram contemplados nos últimos quatro anos". Entre os quais estancar a emigração de jovens e lutar contra a pobreza.  

O especialista critica ainda a comparação que o atual Governo faz da descida do défice entre 2010 e 2014. Argumenta que a comparação não faz sentido, pois "mais de metade dessa descida acontece de 2010 para 2011" e lembra que o orçamento de 2011 não é do atual Governo, mas sim do PS e com "muito menos austeridade". 

O economista chama "ridícula" à estratégia que o Governo adotou para aumentar as exportações, com base na compressão salarial, e diz que estas medidas "só quiseram facilitar a flexibilidade e o despedimento".  

Perda de valor, contração da procura, diminuição do défice externo menor do que o esperado e crescimento do endividamento superior ao previsto pela troika, é o balanço feito por Caldeira Cabral quanto aos efeitos das políticas de austeridade dos últimos anos. O cenário poderá ser resolvido pela proposta do PS, que prevê "um aceleramento do crescimento económico com melhoria das contas públicas e redução do endividamento, sem comprometer uma geração".  

O economista responde ainda às críticas que surgiram à proposta relativamente ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e defende que, para que o país se desenvolva, é preciso ajudar as famílias com dificuldades. "O luxo a que não nos podemos dar não é pagar RSI; é não pagar e perder 30% nos nossos recursos humanos [daqui 20 anos]", responde, em referência aos 31% das crianças que, neste momento, se encontram no limiar da pobreza e exclusão.   

A proposta macroeconómica dos doze economistas inclui a redução do TSU e IRC e espera estimular o crescimento e o emprego. "As empresas que contratam vão sentir um efeito imediato", promete Mário Caldeira Cabral.