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Grécia reunida com credores: é preciso mais tempo para resolver problema de liquidez

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FOTO BERND VON JUTRCZENKA / EPA

Atenas espera que progressos nas negociações convençam credores a avançar com o dinheiro. Eurogrupo não deverá ter condições para tomar essa decisão já na próxima segunda-feira. 

Susana Frexes, correspondente em Bruxelas

Gregos e Comissão Europeia estão de acordo: as negociações têm conduzido a progressos. Desde quinta-feira, representantes de Atenas e das instituições credoras – Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia - estão reunidos e a fazer “pequenos avanços” no sentido de alcançar um acordo que permita desbloquear os 7,2 mil milhões de euros que restam do programa de resgate grego.

“O facto de as conversas estarem agora a decorrer de forma intensa e com todos os intervenientes presentes é, em si, algo construtivo e esperamos que este espírito construtivo leve a uma convergência”, disse esta segunda-feira o porta-voz da Comissão Europeia. Margaritis Schinas deixou, no entanto, um alerta: “É preciso fazer mais" para que o acordo seja alcançado. 

Também o porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellarides, admitiu hoje que foram feitos progressos consideráveis com os credores e que um acordo abrangente poderia ser encontrado “até ao fim de maio ou meados de junho”. 

Do lado grego, a expectativa é que os progressos conseguidos ajudem a resolver os problemas de liquidez dos cofres gregos. Sakerallides, citado pela agência Market News International, disse que espera "que os credores libertem algum dinheiro assim que possível”.   

Mas as instituições credoras não parecem, para já, muito dispostas a viabilizar um “acordo interino”, nem a avançar dinheiro em resposta aos progressos conseguidos em determinadas áreas, durante as negociações em curso. De acordo com fonte do Eurogrupo, só depois de se chegar a um “acordo alargado” será “possível falar sobre desembolsos antecipados”. 

A mesma fonte adianta ainda que “é preciso mais tempo” e que é pouco provável que haja “um acordo a nível técnico” até segunda-feira, dia em que os ministros das finanças da zona euro se reúnem, em Bruxelas.

De acordo com fonte comunitária, “um acordo a nível técnico” implica um entendimento sobre “a lista completa de reformas” e não apenas sobre uma parte dessa mesma lista. 

Este acordo técnico - que implica o “ok” do FMI, BCE e Comissão – será a base de decisão dos ministros das finanças da moedas única. Assim sendo, enquanto as negociações técnicas com o Grupo de Bruxelas (ex-troika) não terminarem com sucesso, abrindo caminho para a conclusão da última revisão do resgate, também o Eurogrupo não deverá tomar qualquer decisão no sentido de desbloquear o dinheiro. 

Governo grego não quer ultrapassar linhas vermelhas
Segundo Sakellarides, o governo grego continua a não querer ultrapassar determinadas “linhas vermelhas”, nem a aplicar as reformas recusadas pelo anterior governo de Antonis Samaras. 

Entre os temas mais polémicos continuam os cortes nas pensões e a reforma do mercado de trabalho que, de acordo com o porta-voz do governo de Atenas, continuam a ser os dois principais pontos de fricção com os credores.

Sakellarides confirmou ainda, citado pela MNI, que Varoufakis continuaria a representar a Grécia nas reuniões do Eurogrupo, uma vez que é ele o ministro grego das finanças. Se até lá não houver acordo, os ministros da moeda poderão limitar-se a fazer “um balanço” da situação grega, sem tomar qualquer decisão. No dia 12 de maio - um dia depois da reunião do Eurogrupo - a Grécia tem de pagar mais 766 milhões de euros ao FMI. 

  • Constâncio confia que acordo com a Grécia será alcançado

    O vice-presidente do Banco Central Europeu acredita que se chegará a um acordo que evite o “pior cenário”. Atenas tem esperança de que progressos sejam alcançados na ronda negocial que decorre até quarta-feira, mas da parte do Eurogrupo continuam a chegar sinais de ceticismo.