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Sérgio Monteiro e a greve dos pilotos. "A TAP não será a mesma a 16 de maio"

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"Uma companhia que está 10 dias com os aviões parados tem uma relação que é cortada com os seus clientes. Esta companhia não vive de subsídios do Estado, vive da venda de bilhetes", afirma Sérgio Monteiro

Mário Cruz/Lusa

O secretário de Estado dos Transportes avisa que se a greve dos pilotos avançar a companhia aérea fica em verdadeiro risco de colapso. E admite que a paralisação de 10 dias poderá ter um impacto maior no processo de reestruturação pelo qual a TAP terá de passar, podendo levar à saída de entre 30% a 40% dos trabalhadores.

Em entrevista à SIC Notícias, na noite de quarta-feira, Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, admitiu um cenário de despedimentos e encerramento da empresa em caso de greve.

É que a paralisação dos pilotos, nos próximos 10 dias, colocará sérios problemas à tesouraria da TAP. "Se o impacto da greve for aquele que está estimado, a TAP não será a mesma no dia 16 de maio", afirmou, referindo-se ao dia seguinte ao prazo limite para a receção das propostas de compra da transportadora aérea portuguesa.

"Uma companhia que está 10 dias com os aviões parados tem uma relação que é cortada com os seus clientes. Esta companhia não vive de subsídios do Estado, vive da venda de bilhetes", afirmou.

"Se a empresa não tiver dinheiro para solver os seus compromissos, fecha. A empresa tem de ser profundamente reestruturada. Não há outro caminho. A reestruturação é feita nos moldes que a Comissão Europeia nos deixar", alertou.

Por isso, Sérgio Monteiro considera não haver outra solução senão fazer o que Bruxelas decidir. E assegura que "é provável que a Comissão Europeia imponha remédios severos para uma reestruturação da TAP". Reestruturação essa que pode significar despedimentos na ordem dos 30% a 40% dos trabalhadores, à semelhança do que aconteceu "em casos mais recentes na Europa", referiu. E exemplificou: "Aconteceu na Polónia há dois meses."

O secretário de Estado dos Transportes garantiu que o seu Governo vai levar o processo de privatização avante. "Até 15 de maio receberemos as propostas. As propostas podem ser melhores, piores ou nenhumas, consoante o que acontecer nos próximos 10 dias", referiu.

A greve de 10 dias convocada pelos pilotos da TAP tem início marcado para esta sexta-feira, 1.º de Maio. A companhia decidiu não anunciar previamente os voos cancelados pela paralisação. Essa informação irá sendo transmitida diariamente: tendo em conta que esta greve não tem o consenso de todos os trabalhadores da empresa, incluindo pilotos, a TAP mantém a esperança de que a adesão não seja significativa.

Pilotos não estão contra privatização 

Num comunicado emitido ontem, quarta-feira, no mesmo dia em que cerca de 300 trabalhadores da companhia fizeram uma marcha silenciosa contra a anunciada paralisação, a direção do Sindicato dos Pilotos de Aviação (SPAC), referiu que o objetivo da greve, entre 1 e 10 de maio, "não tem nada a ver com a privatização" em curso da operadora aérea: "O SPAC não está contra a privatização da TAP", disse em comunicado. Apesar disso, o sindicato reconhece que a greve de 10 dias terá "impacto na privatização", uma vez que estão em causa "acordos que definem e regulam as relações entre empregador e empregado".

O SPAC afirma que esta greve tem duas frentes de batalha, que não passam pela oposição à privatização: luta pela continuação do acordo assinado em Dezembro, nas mesmas condições; e pretende a resolução do acordo de 1999, que dava aos pilotos acesso ao capital da empresa num eventual processo de privatização.