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Pires de Lima. "Os pilotos que hoje vieram trabalhar não estão a fazer um favor ao Governo"

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O ministro da Economia, o presidente da TAP e o secretário de Estado dos Transportes à saída da reunião, dia 1 de Maio, sobre a greve na TAP

Alberto Frias

O ministro da Economia afirmou, esta sexta-feira, que os pilotos que trabalharam hoje "não estão" necessariamente "a favor da privatização" e ao lado do Governo. Trabalham porque "estão genuinamente preocupados com o futuro da TAP". E acrescenta que, no que toca à privatização, "não há espaço para negociar".

"Os pilotos que hoje vieram trabalhar não estão a fazer nenhum favor ao Governo. O facto de estarem a trabalhar não significa que estejam a favor da privatização. Estão a trabalhar porque reconhecem a importância do seu trabalho para a o país, para a economia do país e estão genuinamente preocupados com o futuro da TAP". Foi esta a resposta do ministro da Economia, António Pires de Lima, aos jornalistas, à saída da reunião que teve com o presidente da TAP, Fernando Pinto, e o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro. 

O ministro apelava assim aos restantes trabalhadores, aqueles que participam na paralisação (prevista para dez dias), para repensarem a sua decisão. "Mesmo no caso dos percursos de longo curso, onde a incidência da greve é maior, faço um apelo para que os pilotos pensem na TAP e sigam o exemplo dos seus colegas".

Ainda assim, Pires de Lima rejeita que as suas declarações, ao longo da semana, sobre a greve na TAP sejam uma forma de pressão sobre os trabalhadores. "Forma de pressão?", questionou. "Se eu não falasse seria uma demissão das minhas responsabilidades", afirmou, sublinhando que pretende apenas "procurar chamar à razão pessoas que têm um papel fundamental no futuro da TAP".

"Não há mais nada para negociar"

Questionado sobre a possibilidade de abertura para negociar, o ministro da Economia não tem dúvidas: esse momento já passou. "O Governo mostrou abertura para ir atrás de algumas das pretensões dos pilotos, desde que não pusessem em causa os acordos assinados há quatro meses. Mas esse tempo já passou. Não há mais nada para negociar".  

Fazendo um balanço dos números de adesão à greve da TAP, Pires de Lima reforça que "70% dos voos e mais de 80% dos passageiros que previam voar na TAP" conseguiram fazê-lo "e chegaram aos seus destinos", sublinhando que os portugueses "estão agradecidos aos pilotos que hoje vieram trabalhar".

"Não estou surpreendido com os números", afirmou aos jornalistas. "Não há memória de uma greve convocada pelo sindicato de pilotos com este nível de trabalho e regularidade nos voos".

Já em relação ao futuro, o ministro não arrisca previsões para os próximos nove dias. "Não tenho a arte da adivinhação. Este não é o momento para entrarmos em especulações".