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Confirmado. Greve na TAP avança mesmo

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FOTO JOÃO CARLOS SANTOS

Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, que deu uma conferência de impresa ao início da noite, diz que "os pilotos foram obrigados" a tomar esta decisão e deixa várias críticas à forma como o Governo geriu o dossiê. Greve começa esta sexta-feira e prolonga-se até 10 de maio.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) confirmou esta quinta-feira que vai avançar com a greve de 10 dias na TAP, que pode levar ao cancelamento de 86 voos logo nos primeiros três dias de paralisação.



"Os pilotos lamentam terem sido obrigados pelo Governo e pela TAP a avançar para a  greve", declarou o dirigente sindical Hélder Santinhos, apontando para a "gestão ruinosa" da companhia e para a falta de "vontade política" do Governo.



Segundo Hélder Santinhos, os trabalhadores e pilotos da TAP estão "cansados de pagar prejuízos que não são seus". "São os trabalhadores que mais têm feito para a empresa sobreviver. Não aceitamos que se faça concessões a um futuro investidor sem contrapartidas", sublinhou.



Alegando que o Executivo não deu "contrapartidas suficientes" aos pilotos durante as negociações com o sindicato, Hélder Santinhos disse que não é possível aceitar a redução salarial imposta pela companhia e que há outros pontos em que não podem ceder, como as condições de trabalho, nomeadamente o cansaço e fadiga.



O líder sindical referiu ainda que o Executivo terá que explicar aos trabalhadores da TAP e aos portugueses o "colapso" da transportadora aérea - e caso esse cenário se concretize, quais são as implicações para as contas públicas e para a economia.

"A greve nunca é oportuna, causa prejuízos. Mas perante a evidência da gestão da TAP e da intransigência do Governo, não temos alternativa e cá estaremos para a assumir as responsabilidades, ao contário do Governo, que foge delas", acrescentou.



Afirmando que os prejuízos da companhia não são "culpa" dos pilotos, o representante sindical disse esperar que sejam cumpridos os acordos anteriores, havendo "bom senso" para superar o "radicalismo" do Executivo e da TAP demonstrado durante o processo negocial.



Questionado sobre a possibilidade de os pilotos poderem ainda recuar na decisão de avançar com a greve ou reduzirem os dias de paralisação, Hélder Santinhos respondeu que essas hipóteses estão em aberto. "Existe sempre essa possibilidade, mas a decisão está nas mãos do Governo e da TAP", afirmou.



Segundo o dirigente da SPAC, o sindicato espera uma adesão à greve dos pilotos que rondará os 90%.

Na quarta-feira, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, admitiu mesmo em entrevista à SIC Notícias um cenário de encerramento da TAP caso a paralisação de 10 dias avançasse.

O Presidente da República disse esta quinta-feira não ter "ilusões" quanto à possibilidade de a greve ser desconvocada, esperando que não aconteça em Portugal o que sucedeu noutros países da União Europeia, em que as "companhias foram forçadas a realizar despedimentos significativos e a cortar rotas".