Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

A tinta como arma contra assaltos

  • 333

Pedro Monteiro, Nuno Abrantes e Paulo Duarte, sócios da Feerica, seguram 
o sistema de tintagem 
das notas.

FOTO Nuno Botelho

A empresa portuguesa Feerica certifica em França sistema antirroubo nas caixas automáticas.

João Ramos

João Ramos

Jornalista

A Feerica prepara-se para entrar em força no mercado francês de sistemas antirroubo de caixas automáticos (ATM), após conseguir a certificação em janeiro pelas autoridades locais do Smartstain, um sistema que provoca a tintagem das notas em caso de tentativa de furto. A empresa, sediada em Mafra, passa assim a ser um dos três fornecedores habilitados para atuar no exigente mercado francês de segurança de ATM, em competição com grandes multinacionais do setor. "O nosso sistema foi o que teve melhor desempenho após ter sido sujeito a rigorosos testes", refere Paulo Duarte, administrador da Feerica.

Para melhor tirar partido do potencial do mercado francês (existem 65 mil ATM), a Feerica deverá fazer em breve uma parceria com uma empresa local da área da segurança. E pretende tirar partido do facto da tintagem das notas ser o sistema recomendado pelo Banco Central Europeu, o atual regulador do setor bancário, por ser um sistema com mais eficácia na dissuasão da criminalidade.

Ajudar a polícia

"Investimos €1 milhão em investigação e desenvolvimento do Smartstain para que fosse eficaz e funcionasse nos ATM das principais marcas", refere Paulo Duarte. Além de criar componentes de eletrónica, a Feerica melhorou a composição química da tinta, de forma a que as notas possam funcionar como um mata-borrão. As autoridades bancárias exigem que 20% a 30% da superfície das notas fique tintada de forma a torná-las não transacionáveis.

O desenvolvimento do Smartstain implicou ainda a realização de testes estáticos e explosão física com gás, uma das formas mais usadas atualmente pelos assaltantes.

"A neutralização de notas através de tinta é atualmente a melhor estratégia de proteção, em alternativa ao conceito tradicional da segurança física baseada em sistemas pesados e onerosos que nem sempre são eficazes a tentativas de assalto agressivas", refere Nuno Abrantes, administrador da Feerica.

De salientar ainda que cada ATM tem uma tinta única (tem um ADN próprio) que ajuda as autoridades policiais a encontrar pistas de investigação criminal. "Este rasto confere um enorme efeito dissuasor", sublinha Paulo Duarte.

Além de França, os próximos alvos da expansão internacional da Feerica são a Espanha, Chile, Malásia e África do Sul. Esta é uma forma de compensar a estagnação do mercado bancário português, já que nos últimos anos houve uma desaceleração dos investimentos na proteção de ATM através de tintagem, apesar de continuar a existir um número significativo de assaltos por rebentamento. "Por vezes, é preciso internacionalizar para depois vingar no próprio país", comenta Nuno Abrantes.

Outra área de negócio é o das malas de transportes de valores. "Integram um GPS para ser mais facilmente localizável em caso de furto e um sistema de tintagem que é desencadeado quando a mala é aberta noutro local que não o de destino", refere Paulo Duarte, referindo que a empresa atua noutras áreas de segurança como o controlo de acessos, máquinas "selfbanking" de depósito por saco e leitores de cartões.

A Feerica foi fundada em 1982, na sequência de uma cisão da FOC (antiga empresa de mobiliário de escritório), para revender produtos na área da segurança bancária. Em 1997, a empresa passou a ter produtos próprios. A internacionalização começou em 2004, através da compra de uma participação numa empresa em França.