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Alisuper enfrenta de novo dificuldades

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O empresário José Nogueira comprou a rede Alisuper em 2012, por €26 milhões

Luís Coelho

Dependência do turismo algarvio afeta rentabilidade das lojas. Há dívidas a fornecedores e atrasos salariais.

Adriano Nobre e Joana Madeira Pereira

O projeto de recuperação da rede de supermercados Alisuper está em dificuldades. Depois de ter sido salva da falência pelo grupo Nogueira, em 2012, a empresa volta a mergulhar em problemas financeiros: há fornecedores que estão a limitar o abastecimento das lojas por causa de dívidas por saldar e os 340 trabalhadores estão a sofrer atrasos salariais.   

Contactado pelo Expresso, o dono do Grupo Nogueira, José Nogueira, não nega a existência de problemas na exploração da marca Alisuper. Mas garante que os mesmos estão em processo de resolução e que a viabilidade da rede de supermercados não está em causa. Admite atrasos no pagamento dos ordenados de fevereiro e março, mas garante que os trabalhadores "já os receberam todos".

Os problemas acentuaram-se no início deste ano. Nas últimas semanas, a delegação algarvia do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) visitou lojas Alisuper na sequência de uma denúncia anónima sobre as dificuldades que a insígnia está a atravessar: "Basta ir às lojas para perceber que há problemas com os fornecedores em várias categorias de produtos. E os trabalhadores que contactámos confirmaram [na altura] que só tinham recebido €250 do ordenado de fevereiro", explica a delegada sindical Maria José Madeira.   

Uma das lojas, em Olhão, encerrou entretanto. José Nogueira explica que se deveu à recusa do senhorio em renegociar a renda. "Os valores são muito altos, os contratos foram feitos noutras épocas. Todos os senhorios com quem conversámos aceitaram baixar a renda, exceto o de Olhão. A única decisão que podíamos tomar era fechar a loja", conta, assegurando que os trabalhadores foram colocados noutros estabelecimentos do grupo.   

"As vendas até são boas", afirma o dono da cadeia, "mas as condições do mercado são muito difíceis, as pessoas não estão a consumir", acrescenta, para explicar as dificuldades que estão a afrontar a cadeia, que tem 43 das suas 49 lojas nesta região. "O Algarve é muito sazonal, depende muito das férias de verão. De setembro até abril o movimento baixa tragicamente", explica Nogueira, que se diz obrigado a encerrar 18 lojas durante os meses mais frios do ano: "Temos duas na Mantarrota, quem é que lá vai agora? A única hipótese é fechar metade do ano", assegura.

Em 2013, as vendas chegaram aos €27,5 milhões e, no ano passado, tocaram nos €30 milhões. Mas os custos, sobretudo eletricidade, combustíveis e rendas "são enormes", explica.  

O empresário, original do Douro, lamenta o desinteresse com que o Governo olha para a sua situação, depois da compra da rede Alisuper. Recorde-se que a entrada do Grupo Nogueira no Alisuper ficou formalmente fechada em fevereiro de 2012, depois de vários meses de negociações entre José Nogueira e os credores. O acordo - que na altura contou com o envolvimento do Ministério da Economia - ficou fechado por cerca de €26 milhões, o valor das dívidas que a empresa então tinha ao Estado, Segurança Social, fornecedores, bancos e trabalhadores. "Estamos a pagar as dívidas, a cumprir todos os prazos. Inclusivamente, tínhamos uma fatura de €1,4 milhões devida à EDP que já foi saldada." 

Apesar das dificuldades, José Nogueira não esmorece e garante que não vai deixar de lutar. Nos próximos dias tem reuniões marcadas com credores bancários, "para tentar baixar juros", e está a preparar um plano de expansão da rede Alisuper para outras zonas do país, mais a norte, na tentativa de garantir uma  faturação mais estável ao longo do ano. Atualmente, além do Algarve, o Alisuper só tem lojas na zona de Cascais, Seixal, Oeiras e Moimenta da Beira.

 

€30 milhões de faturação em 2014

49 lojas abertas. Já foram 50, mas a de Olhão fechou. Em 2009 chegaram a ser 81

340 trabalhadores efectivos