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"Temos que pensar mais em crescimento, emprego e prosperidade"

Na segunda-feira Draghi admitia o risco de deflação

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Presidente do BCE diz que a resposta aos resultados das eleições é uma maior atenção à política económica por parte dos governos nacionais e das autoridades europeias.

João Silvestre

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) considera que os resultados das eleições europeias, nomeadamente a subida de partidos eurocéticos ou mesmo anti-Europa, mostram que "são necessárias melhorias e os governos devem fazer mais".

Num debate no fórum do BCE em Sintra com o governador do banco central mexicano, Agustín Carstens, Mario Draghi sublinhou que, apesar de tudo, o novo parlamento europeu "parece capaz de ter um papel construtivo tal como o anterior". Ainda assim, reconheceu que todos os responsáveis devem "pensar mais em crescimento, emprego e prosperidade".

"Há uns anos, o principal resultado do projeto europeu era a paz e a democracia", lembra Draghi. Agora é preciso mais e isso compete, em primeiro lugar, aos governos nacionais mas "também é preciso fazer mais ao nível europeu". A resposta, diz, "não é apenas mais Europa, é uma política economia diferente". Já sobre o papel do BCE refere que "fez o que tinha que fazer dentro do seu mandato".

Deflação? Para já não

Questionado pelo moderador David Wessel, ex-jornalista do The Wall Street Journal e atual diretor do Hutchins Center on Fiscal and Monetary Policy da Brookings Institution, sobre a eventual necessidade de ter novos instrumentos para assegurar a meta de inflação de 2%, Draghi garantiu que tem as armas adequadas. "Estou confiante que conseguimos atingir 2%", assegura, embora admitindo que está "consciente do risco de ter uma baixa inflação prolongada".

Na intervenção de ontem, na abertura dos trabalhos, Draghi admitia o risco de deflação e voltava a dizer que o BCE atuará se necessário. Agora, no entanto, prefere sublinhar que neste momento o cenário de deflação não se coloca.

Sobre a proposta de Paul Krugman relacionada com a subida da meta de inflação do BCE para 3%, 4% ou mesmo 5%, o presidente do banco central preferiu brincar com a ideia de convencer a Alemanha a ter taxas de inflação deste nível.