A recessão em Portugal vai ser especialmente grave no início deste ano, mas nos últimos três meses a economia deverá estabilizar, prevê a Comissão Europeia num documento hoje divulgado.
Segundo os dados hoje divulgados por Bruxelas, Portugal vai sofrer em 2012 uma contração de 3,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) - mais grave do que a quebra de 1,5% de 2011, e a segunda mais profunda da União Europeia este ano (a seguir à Grécia, cuja economia encolherá 4,4%).
No entanto, o impacto da recessão não se distribui de maneira uniforme ao longo do ano. A crise será mais forte no atual trimestre, para o qual a Comissão prevê uma redução do PIB em cadeia (isto é, comparando com o trimestre anterior) de 1,4%.
No segundo trimestre, a redução em cadeia será 0,6%; e no terceiro de 0,3%. No quarto trimestre, contudo, a previsão da Comissão Europeia é para uma variação do PIB em cadeia de 0%.
Este valor para o quarto trimestre significará, em termos homólogos (isto é, comparando com o quarto trimestre de 2011), uma forte quebra de 2,3%. Mas mesmo esse nível é menos negativo do que as previsões de variações homólogas para o primeiro e para o segundo trimestres, para os quais a Comissão espera reduções de 3,5% e 3,9%, respetivamente.
Em novembro, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou no Parlamento que "2012 será um ano determinante para Portugal e para a economia portuguesa", pois "certamente irá marcar o fim da crise e será o ano da retoma para o crescimento de 2013 e 2014".
A Comissão Europeia não divulgou hoje previsões económicas para 2013. Nas suas projeções de novembro, Bruxelas esperava um crescimento de 1,1% para a economia portuguesa, mas é provável que esse valor seja revisto em baixa.
Em janeiro, o Banco de Portugal atualizou as suas previsões para 2013, prevendo um crescimento económico de apenas 0,3% no próximo ano.