As análises aos dois casos suspeitos de infeção pela bactéria e.coli registados em Portugal continental deram resultados negativos, informou ontem a ministra da Saúde, adiantando que ainda se aguardam resultados relativamente ao caso referenciado na Madeira.
"Dos dois casos registados no continente, no Norte do país, de duas pessoas que vieram da região de Hamburgo, a análise foi negativa" disse ontem Ana Jorge à agência Lusa.
A ministra frisou que estas duas pessoas "nunca estiveram internadas em nenhum hospital", "tiveram uma sintomatologia ligeira e fizeram as análises".
Terceiro caso ainda sem confirmação
Quanto ao terceiro caso, de um homem que está internado na ilha da Madeira, "ainda não há confirmação".
"Ainda não saíram os resultados da análise para confirmar se há ou não infeção com e.coli e, caso haja, qual é o tipo em causa", disse Ana Jorge, afirmando que "são análises que vão demorar mais algum tempo". De acordo com a ministra, também esta pessoa "veio da Alemanha".
Ana Jorge garante que "não há indicação de mais nenhuma suspeita em Portugal".
"Não houve mais nenhuma sinalização e há neste momento um sistema de alerta em todos os serviços de saúde", pelo que, sempre que alguém apresenta suspeitas de ter contraído E.coli, o doente será identificado, registado e informada a Direção-Geral de Saúde, referiu.
18 mortos na Alemanha e 1 na Suécia
Um surto infecioso da bactéria e.coli foi detetado na Alemanha na semana passada, tendo provocado 18 mortos e afetado milhares de pessoas. Morreram 17 pessoas na Alemanha e uma na Suécia.
Apesar de as autoridades terem inicialmente atribuído o surto à contaminação de pepinos espanhóis, a origem da infeção continua desconhecida.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou tratar-se de uma nova estirpe da bactéria.
A ministra alertou para os "títulos alarmistas" que têm sido publicados em alguns jornais e "que não beneficiam nada".
"Devem evitar-se títulos que criam pânico na população", disse, lembrando que "não há nenhum risco conhecido em Portugal para que as pessoas evitem comer saladas ou legumes".
Análises da ASAE a pepinos espanhóis dão "negativo"
As análises realizadas pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) a pepinos espanhóis, retidos num armazém em Portugal, para detetar a presença da bactéria E.coli, continuam a dar "negativo", disse ontem à Lusa uma fonte do organismo.
A ASAE já tinha informado na quinta-feira que as primeiras análises realizadas aos pepinos deram "negativo".
A ASAE desencadeou, entre sexta-feira passada e terça-feira, uma "operação de controlo" para verificar se havia à venda em Portugal pepinos provientes de Espanha. Esta ação foi realizada antes de a Alemanha ter anunciado que, ao contrário do que se pensava, a origem do surto infecioso com a bactéria Escherichia coli (E.coli) não estava nos pepinos espanhóis.
Segundo informação disponibilizada no site, a ASAE informa que foram fiscalizados 241 operadores económicos e retidos 6,4 toneladas de produto.
Estabelecimentos portugueses são "dos mais seguros do mundo"
A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) garantiu hoje que os estabelecimentos de restauração de Portugal são "dos mais seguros do mundo", depois de detetado um surto infecioso da bactéria e.coli na Alemanha.
Em comunicado, a AHRESP afirma que "as regras de higiene e segurança alimentar (...) garantem que Portugal lidera a segurança alimentar", explicando que a metodologia de controlo utilizada se baseia "no auto controlo e nas boas práticas", tendo sido "previamente validada pela ASAE", a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica.
A Associação explica que, "diariamente", os estabelecimentos procedem ao "auto controlo, através da verificação física de todos os processos, desde a receção dos alimentos à garantia da sua rastreabilidade (origem), passando pela sua conservação, manuseamento e confeção, até à mesa do cliente".