17 de abril de 2014 às 10:31
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É tudo muito bonito, mas...

Daniel Oliveira

A separação de poderes é muito bonita. Mas devemos pedir desculpa por ela porque precisamos do dinheiro angolano e é uma irresponsabilidade criar problemas diplomáticos com um dos poucos países que está, neste momento, a investir em Portugal.

A soberania portuguesa é muito bonita. Mas Portugal precisa de financiamento externo não pode fazer mais do que aceitar as ordens da troika e os ralhetes da Comissão Europeia e dos governantes europeus a quem ela realmente obedece.

A Constituição da República é muito bonita. Mas Portugal não se pode dar ao luxo de ver mais medidas chumbadas pelo Tribunal Constitucional, porque assim será impossível cumprir as metas definidas pela troika e o segunda resgate tornar-se-á inevitável.

A democracia é muito bonita. Mas não havendo qualquer diferença entre um ou outro governo, entre votar num ou noutro partido, porque todos terão de cumprir as mesmas medidas para chegar às mesmas metas, ela é, na realidade, uma mera formalidade.

A justiça social é muito bonita. Mas, não tendo nem querendo ter moeda própria, a única forma de não nos endividarmos mais é baixarmos insuportavelmente os salários para importarmos menos e exportarmos mais. E baixarmos o imposto sobre o lucro das empresas. E continuar a ir buscar o que falta ao consumo de todos, no IVA. E salvar os bancos, do BPN ao Banif e a todos os que lhes sigamMas nunca salvar as empresas produtivas, porque isso violaria as sagradas leis europeias de concorrência. E não obrigar as instituições financeiras pagar por uma crise que elas próprias criaram, porque se o fizessemos os capitais debandavam. Teremos de ser mesmo nós, os reformados, os trabalhadores, os pequenos empresários, os pobres e a classe média a pagar a factura. Porque socializar os lucros é socialismo, mas socializar os prejuízos é necessidade.

O Estado de direito, a independência nacional, a democracia e a justiça são luxos para tempos de bonança. Em crise, quando o dinheiro falta, a dignidade e a democracia não passam de lirismo. "Não há dinheiro!" Qual das três palavras não perceberam? A coragem e o patriotismo são arrebatamentos pueris e a falta de coluna é maturidade e sentido de Estado. Por isso, não se espantem ao ouvir um primeiro-ministro dizer que está disposto a tudo para agradar a um ditadorzeco. Um povo agachado de medo só pode merecer um capacho como líder.

A alternativa? Correr o risco de ser livre. E pagar a factura dessa liberdade. Seja dentro ou fora do euro, seja correndo com a troika ou negociando firmemente com ela. Pobres, se preciso for. Falidos, se tiver de ser. Mas dignos de, como povo, sermos donos do nosso destino. Ou vendidos de uma vez por todas. Se assim for, poupem-nos à farsa de ter governo, parlamento, presidente, eleições, constituição, bandeira e hino. É tudo muito bonito, mas...

Comentários 97 Comentar
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livres? srs do nosso destino?
é tudo muito bonito,mas,
quantas familias têm de pagar as suas respectivas habitações aos bancos, agarrados a contratos de 30 ou mais anos????

PS: e fico-me só pelas habitações....(não quero entrar nos contratos para aquisição de veículo; computadores; viagens; bla bla bla....)

PS2: aos "que se lixe a troika", sp gostava de saber quantos aficionados vivem em casas arrendadas....e que depois lutem pela "quero a minha vida de volta"....

PS3: fraquinho, hoje!
Podemos sempre sonhar....mas os dias que correm,e os muito q virão, não estão para falinhas mansas....

cumpts meu caro
Burgueses hipócritas
Nós pedimos dinheiro emprestado, temos de o pagar, mas paguemos em dinheiro e não em honra e dignidade.
A Troika é só uma parte do problema e outra parte da solução, sem ela muitas das reformas que atingem alguns intocáveis nunca seriam feitas, o problema é que ela se governa ao sabor dos Mercados e aumento dos juros.
Foi para evitar conflitos internos com os seus 'clientes' que os governantes tudo fizeram para arranjar receitas onde era mais fácil com o intuito de recuperar o défice sem mexer com os poderosos mas sua incompetência e inexperiência foi como um tiro que lhes saiu pela culatra.
A Troika vai embora, dizem eles, mas o mais certo é eles irem embora e a Troika fica.
Confusão nessa cabeça Ver comentário
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Volto a dizer Ver comentário
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Não estou não Ver comentário
Desculpe Ver comentário
Pois Ver comentário
Veja se percebe Ver comentário
@RaioXis Ver comentário
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"Pronto! La 'tas tu armado em esperto..." Ver comentário
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"não sues esse dois neurónios tá?" Ver comentário
Sim, tudo muito bonito...
A liberdade de expressão é muito bonita, mas os jornalistas não podem insultar nem difamar as pessoas...
É tudo muito bonito, efectivamente. pena é que só olhamos para o nosso lado...
É como o Segredo de Justiça. O segredo de justiça em Portugal é constantemente violado. Os jornalistas sabem que quando estão a transmitir uma notícia que violou o segredo de justiça são cúmplices de um crime. Só que neste país de brandes costumes, existem classes que se permitem quase tudo....
As ilegalidades são ilegalidades; um mau governo é um mau governo. No entanto, Portugal é (aparentemente) um Estado de Direito. Ou seja, a justiça e a democracia são para todos; independentemente de pensarmos que A ou B possam ser criminosos ou que o governo é mau. Só sabemos que A ou B são culpados depois de serem julgados e só se troca de governo seguindo os princípios democráticos (onde se inclui o sufrágio). Senão, acabemos com as regras, leis e a democracia, já agora...
A violação Ver comentário
É igual... Ver comentário
Não percebe? Ver comentário
Passos mentiu antes eleições, será ilegal? Ver comentário
Todos devemos contribuir!
E ninguém e muito menos qualquer orgão de soberania pode considerar-se acima do interesse nacional ou lavar as mãos como se nada tivesse a ver com a crise e dependência externa que Portugal atravessa!
Por isso o Tribunal Constitucional e os Tribunais devem estar atentos ao que se passa e contribuir para o interesse nacional.
No caso de Angola o ministério público tem que ter juizo.
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o ministério público de dar o bom exemplo Ver comentário
Estou Ver comentário
@ águiadois Ver comentário
Estado de direito Ver comentário
"Quanto mais isto muda, mais é a mesma coisa!"
Célebre frase pintada numa rua de Paris no Maio de 68.

No séc. XX, não fizemos outra coisa senão mudar regimes, com violência, que, como se sabe, é um argumento de peso.

Supostamente, porque os anteriores eram maus e levariam (ou levaram) o país á desgraça! (é preciso ter lata não é?).

Chegamos então, depois de um século, ao suprassumo dos regimes: As mais amplas liberdades, o povo tornou-se Soberano !?? e senhor dos seus destinos (através dos seus representantes e respectivos interesses, claro),
perdemos soberania, é verdade, mas para pertencer a um Clube de ricos no qual seríamos sempre os pobres...

E de maneira que, depois de séculos de progressos, estamos falidos, endividados até níveis obscenos, nem soberania temos, embora possamos fazer manifestações e chamar nomes a quem quisermos (cuidado com as ofensas á integridade das pessoas!).

Os nossos antiquados antepassados, tinham outras ideias menos modernas é verdade, mas suficientes para construir um Império e sermos temidos e respeitados por outros povos, em vez de lhes andarmos a lamber as botas!

Se continuarmos esta senda de progressos de regime e outros, num próximo século não passaremos de uma Junta de Freguesia dum qualquer Império.

Felizmente, Deus tinha outros Planos quando "patrocinou" a fundação deste Reino!
E com Deus não brincam nem europas nem américas nem portugueses de meia-tigela........percebe-se bem, não se percebe?
Costuma falar com Deus? Ver comentário
Crónicas
Um panfleto patriótico, que, intimamente, subscrevo, mas que sei não ser factível. Arrancar 3 ou 4 milhões de pessoas dos arrabaldes das grandes cidades, de regresso aos campos, arrotear charnecas, plantar e semear tudo o necessário à subsistência, gado de curral e de galinheiro , sem dependências externas, sem dívidas, etc.

Mas há que voltar à realidade, vivemos num mundo interdependente e estamos numa situação fragilizada. Gastou-se mais do que se produzia, a dívida é imensa e há que fazer o jogo de cintura necessário, mas há também que preservar as formas, para não cair na indignidade.

É uma difícil ginástica, mas não há opção....

Respeito o seu raciocínio... Ver comentário
........ Ver comentário
Nada bonito
O DO pôs o dedo na ferida, que é a questão fundamental, que quase ninguém quer discutir.
Se queremos um país independente, soberano, democrático e livre temos que estar dispostos a pagar por isso. Senão é preferível rendermo-nos ao comodismo e tentar preservar o pouco conforto material que temos (é o que estamos a fazer), e caminhar despreocupados para uma qualquer forma de ditadura.

Infelizmente, nenhuma das opções é bonita.
A Grécia Ver comentário
Passou-se de vez,
e confunde democracia com politica internacional e necessidade de manter boas relações com outros paises independentemente de factores que possamos não achar os melhores.
É importante manter relações com Angola como é importante manter com o Brasil onde existe tortura e corrupção a rodos, com o Vietname e a India onde existe trabalho infantil e por aí fora.
É uma verdadeira aberração nacional a campanha desencadeada contra Angola por certas figuras que só dizem alguma coisa acertada quando permanecem caladas!
Exacto Ver comentário
Essa lamento, por vezes Ver comentário
@Passaroco Ver comentário
@OK Ver comentário
Têm toda a razão!
jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/adeus_lusofonia
Isto não pode continuar assim, exigimos uma limpeza de alto a baixo no sistema para por cobro à destruição sistemática do nosso país por certos alarves que deviam ser presos de imediato.
Liberdades e censuras
Que bonito, DO.
Até se apagam comentários no seu espaço.
Bela liberdade de opinião que aqui se pratica.
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Afinal Portugal ainda existe ou não!?
Portugal, independente desde 1139, evoluiu como Estado unitário, até 1910, por força da monarquia e dos diversos factores e condicionalismos históricos mais ou menos favoráveis. Verdadeiramente glorioso foi o período dos descobrimentos (1415/1557), obra de alguns Reis e navegadores sábios, experientes e destemidos que nada poderiam fazer sem o apoio, forçado ou voluntário, de uma população rural e pobre como era a nossa.
O período 1580/1640, com o domínio dos espanhóis, determinou o fim de uma autonomia, corajosamente, conquistada, dando início, entre outras coisas más, ao desmembramento do nosso império marítimo.
No período 1910/1926, a 1ª República democrática, tentou ensaiar, em vão, formas de governar um país fortemente condicionado por enormes desequilíbrios sociais, económicos, financeiros, onde o peso das forças conservadoras (Igreja, militares, maioria esmagadora da sociedade civil) era avassalador e a defesa intransigente do resto do império imperava.
O regime ditatorial (1926/74), fez manter, durante 48 anos, tal passado rural, conservador e avesso ao progresso, abrindo as portas apenas aos cidadãos obedientes e bem comportados, fechando-as, porém, aos demais, que variavam entre os rebeldes que importava eliminar, punir ou marginalizar e os abúlicos que importava atrair ao rebanho ou manter em atroz ignorância e obscurantismo.
Veio o 25 de Abril/74, túnel largo por onde entraram todos os portugueses. O facto de ter faltado a luz não justifica o seu fecho

 
E depois o pessoal queixa-se
Que os portugueses sejam crianças...

Então se temos tanto poder sobre o nosso destino como uma criança de 4 anos como é que alguma vez passaremos a adultos?
@Daniel Oliveira
- "Por isso, não se espantem ao ouvir um primeiro-ministro dizer que está disposto a tudo para agradar a um ditadorzeco." [sic]
Que grande dor de cotovelo sente este jornalista português ignorante da sua história nacional, ante uma vibrante economia angolana, comparada com o Estado acabrunhante legado pelos seus antepassados toscos, pérfidos e mesquinhos, os quais, tendo tido um império na mão, nem mesmo uma comum relação de cooperação conseguem construir com as suas ex-colónias.
Esse ódio rancoroso ao presidente angolano não tem o menor efeito junto do povo angolano que passa lindamente sem Portugal.
O angolano, finalmente feliz, porque livre dos horrores da guerra fraticida alimentada pela antiga potência colonizadora, encara orgulhosamente o "ditadorzeco" como o construtor da Paz que reina em Angola. O resto, é dor de cotovelo de preconceituosos enrezinados, sem refinamento sequer para poderem ser racistas.
É preciso não saber absolutamente nada sobre o que Angola é e o que lá se passa hoje em dia, para acreditar que o presidente angolano é uma espécie de régulo acaparado de todas as riquezas de Angola.
O LSD faz mal Ver comentário
@fmart8 Ver comentário
Por outro lado... Ver comentário
"dados do Banco Mundial" Ver comentário
Dados Ver comentário
"também creio que não conheça" Ver comentário
Caro amigo... Ver comentário
"as relações portugueses-angolanos são boas" Ver comentário
Engraçado... Ver comentário
"o que Portugal lhes pôde proporcionar" Ver comentário
E assim se percebe
Que as democracias escrevem ditadura em linhas democráticas...
É normal pedir desculpas, em pessoas educadas.
Pedir sempre desculpas quando há um erro, é normal! A fuga de informações da Procuradoria e a especulação dos jornalistas, é um erro enorme e ilegal.
"é um erro enorme e ilegal" Ver comentário
Interessante Ver comentário
"falta de mais argumentos" Ver comentário
Re Ver comentário
"Obrigado pela atenção" Ver comentário
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