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É tão fácil explicar às crianças quando o dinheiro não estica mais (vídeo)

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Uma criança a quem se ensina a gerir bem o dinheiro ganha responsabilidade e noção de esforço, ao mesmo tempo que passa a dar mais valor ao que conquista
Um dos métodos para ensinar passa por dividir o tradicional porquinho mealheiro em quatro partes

Os conflitos entre pais e filhos sobre o dinheiro são recorrentes e, normalmente, prolongam-se no tempo: desde de que são crianças - em que pedem aos pais tudo e mais alguma coisa - até à idade adulta, sobretudo quando ainda não são independentes financeiramente (isto para não falar de muitos filhos que mesmo após sairem de casa e terem emprego ainda continuam a recorrer à carteira dos pais).

A melhor forma de evitar este tipo de conflitos ou dependências (agravados nos tempos que correm devido à crise, que parece ter vindo para ficar e que cada vez mais se faz sentir) é darmos aos nossos filhos, logo desde pequenos e ao longo do seu percurso, uma educação económico-financeira que seja sensata e ajustada à realidade em que se vive.

Para o próprio bem dos filhos, torna-se importante perceber quando é necessário ser forte e dizer "não" (recorde aqui o meu texto Birras e fúrias dos miúdos são fogo, mas resolvem-se ), mesmo quando a situação financeira permite ceder no que eles pedem. Só esta noção ajudará a sedimentar a sua própria independência económica e a desenvolver uma auto-estima forte. Porquê? Porque quando as coisas são conseguidas por mérito e esforço próprio têm um sabor completamente diferente. São encaradas como vitórias, o que, naturalmente, reforça o amor-próprio.

Seja um (bom) exemplo a seguir se... conseguir


A melhor forma de ensinar os seus filhos a administrar o dinheiro é você administrar bem o seu. No entanto, se a sua postura em relação a gastos não for a mais correta ou a mais eficaz, não deve deixar que isso a iniba de educar os seus filhos no sentido do que sabe estar certo. Nestes casos, com certeza que a mãe ou o pai (ou ambos) não quererão que o filho passe pela mesma ansiedade em que muitas vezes se encontram, tudo por não terem feito uma gestão bem-sucedida das suas finanças pessoais.

Claro está que é um exercício difícil de pôr em prática: não saber gerir dinheiro e ensinar a fazer o contrário, mas felizmente que nem sempre isso é prejudicial. É que apesar de as crianças aprenderem mais com o exemplo que vêem na prática do que com o que ouvem na teoria, mesmo que a mãe seja uma péssima administradora de finanças, isso não significa necessariamente que os seus filhos herdem a sua falta de habilidade financeira. Pelo contrário, por vezes até pode induzi-los a um desejo de quererem gerir ainda melhor as finanças domésticas. Quem o explica é a jornalista de economia, Justine Trueman no seu livro " "Detox your finances" , dirigido às mulheres que querem gerir melhor as suas finanças. Justine sublinha bem que são importantes as mensagens que as crianças vão recebendo sobre o dinheiro. Por isso mesmo, enquanto mãe ou pai deve ter o cuidado com o que transmite. Por exemplo: você é daquelas pessoas que incentiva os filhos a economizar ou tem a postura do género "quando morrer o dinheiro não vai connosco para a cova"? Convém perceber qual destas duas é a correta, ou pode estar a condenar os seus filhos a terem uma vida com sérias dificuldades quando forem adultos.


Quatro passos para os seus filhos serem meninos de ouro

Justine Trueman refere quatro elementos-chave que são fulcrais e que deve abordar quando explicar o mundo das finanças aos seus filhos.

1. Gastos (ou despesas)

São o mais fácil de explicar a uma criança, já que os próprios miúdos estão muito familiarizadas com esse elemento, tendo a perfeita noção que o que pedem implica precisamente gastar dinheiro. Por isso mesmo, há que transmitir que o dinheiro se deve gastar em bens necessários e que o restante deve ser aplicado de forma correta e responsável. É importante sensibilizar uma criança colocando-a perante opções de gastos. Por exemplo: "o dinheiro que temos só dá para uma coisa das duas que queres. Qual preferes?". Desta forma sentirá a responsabilidade de ter de tomar uma decisão, o que a ajudará, entre outras coisas, a amadurecer.

2. Poupanças

O conceito de poupar é demonstrar como as crianças podem alcançar o seus objetivos, basta que saibam ser pacientes. Por exemplo: se guardar as pequenas quantidades de dinheiro que vai recebendo, pode ao fim de um tempo finalmente comprar a tal bicicleta tão desejada.

Um bom truque é pedir a uma criança que escreva ou diga quais são os seus objetivos financeiros para um novo ano. A seguir, sente-se com o seu filho e ajude-o a elaborar uma estratégia para alcançá-los. As crianças adoram solucionar problemas, sobretudo se a recompensa final for algo que queiram muito.

3. Investimentos

Este elemento não é o mais fácil de explicar a um miúdo, sobretudo se a criança ainda for muito nova. No entanto, existem alguns bons jogos de tabuleiro que ensinam a aplicar o dinheiro em coisas úteis. É o caso do Monopólio , ou do Ethica , dois exemplos de jogos educativos para explorar o impacto social e ambiental dos bancos, investimentos e negócios.

No seu livro, Justine Trueman refere ainda uma competição anual de bolsa entre estudantes, a Shares4Schoo , muito útil e didática, onde os participantes criam um portfólio de ações e competem com crianças de outras escolas. A ideia é ensinar os petizes a investir no mercado bolsista, sendo que, em muitas ocasiões, essas crianças não só conseguem obter resultados acima do desempenho desse mercado, como também de muitos profissionais da área, conta a jornalista.

4. Caridade

Este é um elemento fácil de introduzir nas crianças. Os miúdos gostam de se sentir úteis, sobretudo no que toca a ajudar alguém. Há vários estudos que mostram que o envolvimento de crianças em obras de caridade não só aumenta a auto-estima, como também contribui em muito para o desenvolvimento da sua própria identidade.



Ensine as crianças a dividir o porquinho mealheiro (em inglês)



A Vida de Saltos Altos em livro


Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598


Saiba mais sobre o livro:

Um livro lançado... em Saltos Altos (vídeo e fotogaleria)
Blogue mais feminino do Expresso chega às livrarias (vídeo)


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Pois, é pena é já não ser tão fácil
explicar aos adultos que o dinheiro que gastaram, ou melhor, que o crédito que gastaram, era fictício e volúvel... daí ter desaparecido de repente como o éter e ser o principal motivo das enormes dívidas de muitas famílias portuguesas...
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