25/05/2012 atualizado às 0:46
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E se saíssemos do euro?

A pergunta é uma provocação. Serve apenas para tentar que se perceba que o nosso problema não é apenas a dívida. E que ou discutimos a Europa ou estamos a perder o nosso tempo.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:00 Quinta feira, 29 de abril de 2010

O euro é uma moeda forte. E isso, sendo excelente para as importações, é trágico para as exportações de um país sem grandes argumentos competitivos. E isso é mau para as nossas melhores empresas e para o nosso crescimento. Na verdade, se não estivéssemos no euro é provável que fosse mais fácil responder à crise. Quer com os instrumentos monetários tradicionais, quer com as vantagens de uma moeda mais fraca. Por fim, é uma moeda cega às necessidades das periferias.

Quando entrámos para o euro ele apresentava uma vantagem: a integração plena no espaço económico europeu. Mas havia uma condição: a solidariedade absoluta dentro deste espaço. Nenhum país frágil pode ter uma moeda forte e que não controla, um mercado escancarado e, ao mesmo tempo, ser deixado à deriva quando os ataques especulativos acontecem.

Se os pigs (os países do Sul), que, graças aos preconceitos dos mercados (os mercados não são racionais - são compostos de pessoas com as mesmas dificuldades de percepção que todas as outras), servem de carne para canhão quando as coisas apertam o melhor que têm a fazer é sair do euro.

Por isso, repito a pergunta: e se saíssemos do euro? Parece uma tragédia. Provavelmente seria e por isso não o defendo. Mas se é para termos os prejuízos de uma moeda forte, os riscos de um mercado aberto e a fragilidade da nossa pequenez, mais vale sermos nós a decidir o nosso futuro. Se é para servirmos de alvo aos ataque ao euro mais vale voltarmos à estaca zero.

Por agora, só posso concluir uma coisa: a Europa está a falhar em toda a linha. E o seu coveiro tem um nome: Angela Merkel. Por causa de umas eleições regionais tem andando aos ziguezagues. No jogo da especulação, ninguém aposta o seu dinheiro num cavalo com vitória segura. Ninguém aposta num cavalo com derrota segura. É a instabilidade e a incerteza, que o comportamento da Alemanha em relação à Grécia alimentou, que cria o caldo para esta ofensiva especulativa. Se isto continua o euro é um péssimo negócio para os países periféricos. E a provocação que aqui faço deve passar a ser para levar a sério.

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Derrotismo
agridoce lisboa (seguir utilizador), 5 pontos (Interessante), 10:11 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
A vocação derrotista que ainda existe numa significativa faixa da população portuguesa tem tendência a diluir-se mas, por enquanto, ainda toma conta da maioria das 'elites' e 'fazedores de opinião' portugueses.
Parece que as duas alternativas são:
1. Sairmos do euro
2- Estarmos condenados às dificuldades por causa de estarmos no euro
Bem, meus caros senhores, existem outras alternativas apesar de, aparentemente, não as enxergarem!
Há a alternativa, por exemplo, de fazermos aquilo que muitos outros países fazem - vencer o problema! Porque, como julgo todos sabemos, é possivel vencer o problema!!! É possivel criar condições de estabilidade a nível das contas públicas e da economia que nos retirem desta situação, de uma forma consistente.
O que acontece é que ninguém parece disposto a fazer a sua parte... e por isso é mais fácil pensar em claudicar!...
 
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    Re: Derrotismo    Ver comentário
Carlos A R Ferreira (seguir utilizador), 2 pontos , 12:14 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Saída do Euro!
lumogo (seguir utilizador), 5 pontos (Bem Escrito), 11:02 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
A saída do Euro não será desejável, mas daí a afirmar-se que é um desastre, tenho dúvidas e, ainda quando estamos a caminhar para o abismo e temos limitações de actuação em nossa defesa.
Não defendo a saída do Euro, mas admito ser uma forma de pressão dos países mais fracos sobre nomeadamente a Alemanha.
E mais, este tema seria importante discuti-lo, nem que fosse para o país se preparar para a eventualidae do Euro berrar, pois até as capacidade da Alemanha são limitadas, e o ataque do dóllar e das potências asiãticas não são brincadeiras.
O País hoje está com o tecido produtivo pior de que aquando a adesão á moeda, e, isto devia preocupar todos, deveria a Europa demonstrar de uma vez por todas se é solidária como o seu espírito inicial e nos foi prometido, ou se é um grupo de interesses, e então chamaria a isto um casamento falhado a caminho do divórcio.
Portanto das duas uma, ou a Europa de uma vez por todas se mostra ao mundo e aos seus membros que está unida na graça e na desgraça, ou então não vale a pena ter uma moeda forte só para uma minoria de elites fazerem figuras de ricos por esse mundo fora.
A Europa é para todos e não para uma minoria elitista de previligiados!!!
 
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    Re: Saída do Euro!    Ver comentário
sabemius (seguir utilizador), 1 ponto , 14:42 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Coincidências...
kcorreia (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 12:41 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Uma coincidência interessante…

Há mais de um ano atrás, li um artigo muito parecido com este, escrito por um jornalista holandês, mas abordando o regresso à lira… cujo título era bem mais provocante que este:

http://www.intermediair.n...

“Knorrig over de euro”

Literalmente “Grunhir sobre o Euro”.

Acho piada alguns referirem-se ao termo PIGS, como se de um termo novo se tratasse, quando já circula há mais de ano…

Não interessa se a pergunta é uma provocação ou não, desperta a curiosidade para o tema, é bom reflectirmos e termos consciência de como funcionam estas coisas…sentirmos a curiosidade picada, é sempre um bom sinal…

 
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Muito tem dormido os politicos
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:59 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Essa história de sair do euro ou não, é uma conversa académica que não chega a lado nenhum.
O problema de Portugal é ser um País periférico,o transporte para o centro da Europa representa 10%do preço do produto e estruturalmente o País está na cauda dos estados membros.
Assim sendo as nossas obrigações quanto ao cumprimento dos defices é que estão erradas,porque a resposta a dar pelo País não pode ser igual á dos países mais desenvolvidos da Europa.
Se a nossa agriculutra está atrazada,como é que ela pode competir com a espanhola,de Andaluzia,e por aí fora.
Estas questões,de fundo ,é que os politicos há mais tempo se deviam preocupar:mas como tem passado o tempo a dormir e quando acordam tem cá os homens do fraque á porta do cofre.
Aí ficam desorientados e pôe-se a tocar o sino:mas o fogo já entrou pela madeira dentro.
 
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    Portugal é um País periférico    Ver comentário
sabemius (seguir utilizador), 1 ponto , 14:54 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
    Os velhos e os novos vícios    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 16:36 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
    Re: Os velhos e os novos vícios    Ver comentário
sabemius (seguir utilizador), 1 ponto , 17:17 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
A política nacional e a europeia
Yukon (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:02 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Infelizmente para os cidadãos europeus continua a existir esta confusão entre politica nacional e europeia. Os governantes dos países membros esquecem-se, a espaços, que têm responsabilidades a nível europeu das quais não podem fugir e com impacto para cidadãos que estão fora das suas fronteiras. As fronteiras nacionais deixaram de existir, donde, a manutenção desta visão de quintal é algo que tem de desaparecer também sob pena do projecto europeu se transformar numa miragem que se desfaz logo que enfrenta uma crise ou um ataque mais sério.

A política caseira continua a ser ainda muita cara aos políticos da geração da srª Angela Merkel, para mal dos nossos pecados. Corremos assim o risco de que algum destes políticos, para salvar a honra do seu convento, possa assassinar este projecto com que sonho desde jovem e em que acredito.

Chego a pensar se ainda faz sentido haver Parlamentos nacionais, ou se deveriam ser substituídos por um conjunto de senadores eleitos em cada país por cada região (3 para Portugal por exemplo) e funcionar como uma Câmara Baixa anexa ao Parlamento Europeu e que teria uma ênfase mais local e mais ligada à vida quotidiana dos cidadãos.
 
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A pergunta é uma provocação
sara09 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:21 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Se saíssemos do euro...ficariamos numa situação impensável.

E o "euro" ficaria mais forte se nós , os gregos... saíssemos.

Claro que a resposta também é uma provocação, mas com um conteúdo de verdade.

Sara
 
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Moeda fraca não ajuda
Manuel Almeida (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:06 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Uma moeda fraca não ajuda as exportações. A Alemanha é um dos maiores exportadores do mundo e convive bem com uma moeda forte, antes do marco e agora o Euro.

Porquê esta ideia de que uma moeda fraca ajuda as exportações? Porque quando a moeda enfraquece os exportadores vendem mais barato. E mais barato pode significar mais vendas. Mas a exportação fica mais barata porquê? Porque os factores de produção ficam mais baratos? Sim. A desvalorização é uma forma clássica de descida de salários num clima de moeda flutuante. A desvalorização é normalmente acompanhada por um surto inflacionista interno (porque as importações ficam mais caras) em que os salários não acompanham a inflação. Por seu lado os juros sobem garantindo igual remuneração dos capitais. A desvalorização é assim uma forma de empobrecimento dos portugueses. Já o experimentamos, sem nenhum sucesso, durante anos.

Apostar em desvalorização da moeda é muito semelhante ao apostar nos salários baixos.

Uma nota pigs não significa países do Sul, significa cruamente porcos. È como nos países do centro da Europa são vistas as elites governantes de Portugal, Itália, Grécia e Spain (Espanha) e. Porque será?
 
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Sair do Euro?
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 12:34 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Estar fora do Euro pode significar coisas como inflação a 30% e aumentos salariais e juros nominais a metade da inflação, ou seja: a malta fica toda contente com um aumento salarial que lhe serve para comprar cada vez menos e uma remuneração das suas economias à custa da perda de valor real. Nem me atrevo a pensar o aconteceria às prestações das hipotecas de que somos detentores. Se saíssemos do Euro provávelmente a primeira coisa que farímos seria queixarmo-nos da perda de salários reais e a segunda seria voltar ao Euro o mais rápido possível.
Colocar esta pergunta nos dias de hoje é mais um dos muitos exercícios em que somos pródigos para fugir à verdeira questão de não sabermos aproveitar a vantagem de estarmos no Euro e de não sermos capazes de ajustar o nosso nível de vida às possibilidades reais de que dispomos. De facto, queixarmos-nos dos capitalistas e fazermos greve por aumentos salariais em período de inflação próxima de zero é não entender nada do que está em causa.
Os políticos democráticos não são capazes de nos fazer entender isso mas os credores sim. São esses que nos vão fazer entender o que é ser um país fraco com uma uma moeda forte e quanto mais tarde o entendermos pior para nós todos.

 
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Clap, clap, clap, clap, clap....
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:28 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Palmas para DO, por descobrir quem tem a responsabilidade da nossa situação: Ângela Merkel

Anos e anos de má-governação, megalomania, desmandos, incompetência e corrupção, deve-se a uma pessoa: Ângela Merkel

Realmente DO defende as teses mais reaccionárias, causadoras da nossa pobreza: A desresponsabilização.

E DO causa alguma "mossa", pelas suas opiniões? Causa! Não por ele e a sua insignificância, mas porque é acoitado pelo Expresso.

O Expresso, provavelmente, aceita a colaboração com o objectivo de permitir todas as tendências.

Como tal, candidato-me a colaborador do Expresso, para poder explanar várias ideias imbecis, sobre as razões dos males do Mundo em geral e de Portugal em particular.

 
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cada dia que passa fica mais caro para Merkel!
hortensia (seguir utilizador), 1 ponto , 9:35 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
A Alemanha, que - convém que se diga - é a grande beneficiária da abertura do grande mercado europeu, parece não estar disposta a cooperar no entanto, Wolfgang Schäuble (CDU) ministro das finanças alemão defendeu que a Europa deve manter-se unida e a ajuda financeira deve ser regulada.
 
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Solidariedade, ainda por cima absoluta?
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 9:47 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
"a solidariedade absoluta dentro deste espaço"
Tenho de ir ler os tratados europeus outra vez, porque não me lembro de todo dessa parte.
Lembro-me de algo parecido mas é no Tratado do Atlântico Norte.

Em 1983 tinhamos moeda fraca e a crise foi a mesma, sem União Europeia e com o FMI na Portela e o Ernani Lopes a cortar o 13º (e muitas coisas mais).

Mais uma vez! Os Portugueses não gostaram de ir à Pipa e à República? Não votaram no TGV? Julgavam que era a Alemanha que pagava?
 
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    Re: Solidariedade, ainda por cima absoluta?    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 2 pontos , 10:18 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
    Re: Solidariedade, ainda por cima absoluta?    Ver comentário
lumogo (seguir utilizador), 2 pontos , 11:27 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
    Mas como diz e bem, com estes mamocratas    Ver comentário
sabemius (seguir utilizador), 2 pontos , 17:28 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
E voltar a pagar juros...
nortagus (seguir utilizador), 1 ponto , 10:38 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
no crédito à habitação a 30%!? Vai-te embora òh Melga !
 
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    Re: E voltar a pagar juros...    Ver comentário
zorbarex (seguir utilizador), 1 ponto , 12:33 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Onde para o Sr. la Fontaine?
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 11:00 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Conhece a história da cigarra e da formiga?
Está na cara que a cigarra somos nós e a Grécia.
Enquanto nós andámos a esbanjar dinheiro (que não tínhamos) em ajudas a empresas sem a preocupação da sua viabilidade e tendo como único objectivo travar despedimentos ANTES das eleições; enquanto isso, os países mais sérios tratavam da vida e usavam o dinheiro que tinham guardado no "celeiro".
Andámos a cantar durante o Inverno da crise, agora EXIGIMOS à formiga que nos ajude!
 
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Nem penses....
zorbarex (seguir utilizador), 1 ponto , 12:11 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
Mas é que nem sonhes, vade retro..., cruzes canhoto , nem a brincar que ainda alguem pode ouvir ....o magreb é ja ali e fica mais perto do que a "europa ", fora do euro seriamos a nova fronteira do imperio mas do lado de la , dos barbaros ......
 
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Mais duas perguntas «provocatórias»
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 14:17 | Quinta feira, 29 de abril de 2010
1ª e se a Alemanha fosse um país desgovernado, como Portugal, tivesse uma divida externa como a nossa, os alemães não tivessem apertado o cinto quando era preciso, não fossem disciplinados e trabalhadores, tivessem as praias da linha para irem para lá nos dias de «greve», pediamos dinheiro a quem? Aos chineses?
2ª e se a Alemanha se farta e sai ela do Euro? O problema é que as notas de euro são muito pequena e duras para o melhor uso que poderiam ter a seguir.
 
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