19 de abril de 2014 às 19:22
Página Inicial  ⁄  Dossiês  ⁄  Dossies Economia  ⁄  O resgate de Portugal  ⁄  "É preciso que mudem drasticamente a política económica"

"É preciso que mudem drasticamente a política económica"

Franck Biancheri, diretor de investigação no Laboratório Europeu de Antecipação Política,  em Paris, considera que orientar a política para investimentos produtivos, educação e segurança social é, agora, fundamental

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

"Não havia alternativa ao pedido de resgate", afirma, em entrevista, Franck Biancheri, líder do movimento europeu Newropeans e diretor de investigação do Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP), em Paris. Mas, acrescenta, que esta situação - tal como outros pedidos de resgate na zona euro e outras consequências da crise - é uma "clara indicação de que as elites atuais falharam e que necessitamos de novas gerações de líderes".

Portugal não tinha outra saída?

Não, não havia alternativa. Todos os esforços feitos pelos países da eurolândia - e por outros países da União Europeia, à exceção do Reino Unido - desde Maio do ano passado dirigiram-se no sentido de colocar de pé um mecanismo para evitar tais crises e organizar um processo controlado de resgates para países da zona euro. Deste modo, não recorrendo a ele, Portugal estava a colocar em perigo este mecanismo coletivo de segurança financeira - e colocando-se em complicações ainda maiores. De qualquer modo, muitas das medidas de austeridade que terão de ser aplicadas em Portugal com o resgate teriam de qualquer maneira de ser implementadas, mesmo sem ele... e num ambiente ainda pior.

Como se chegou a uma situação de quase bancarrota?

Muito provavelmente - como em muitos outros países ocidentais - a crise e as suas consequências, como o resgate de Portugal, são uma clara indicação de que as atuais elites falharam. E de que uma nova geração de líderes é necessária.

Que conselhos daria agora?

Quatro. Primeiro: o mais rapidamente possível ter um novo governo, legítimo, eleito. Segundo: Mudar radicalmente a política económica dos últimos 10 anos focando em investimentos produtivos. Entendo que o investimento em educação faz parte disso e que é necessário investir numa rede de segurança social mais eficiente e mais ampla. Terceiro: Controlar o sistema bancário de modo a diminuir os empréstimos dirigidos ao consumo e ao imobiliário. Quarto: lutar por um controlo mais democrático do mecanismo europeu.

Comentários 12 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
Re: "É preciso que mudem drasticamente a política
Monsieur Biancheri:

-Si vous voulez d'expliquer à Monsieur Sócrates, vous devez exprimer en français, parce qu'il ne comprend pas Portugais!

Merci
mUITO BOM Ver comentário
Conselhos para mudança profunda
1- Será que o próximo governo vai ser composto por políticos que estejam dispostos a sobrepor os interesses do país aos do partido? Quando assistimos a comportamentos orientados exclusivamente por táticas desleais e malabarismos, concluímos que é urgente mudar de líderes. Os que têm estado a governar mostram demasiados vícios.
2- Mudar de política económica: acabar com os projectos não produtivos que iriam ainda mais comprometer financeiramente o país por muitos anos. O país precisa de empresas fortes mas não aceita que lhes sejam concedidos negócios, por ajuste directo, que acabam por ser anulados. O país precisa de empresas sólidas qualquer que seja a sua dimensão. Urge investir na formação de gestores.
3- É urgente estimular a indústria da construção civil, que disponibiliza directa e indirectamente muitos milhares de empregos. O que não é razoável é que toda a gente compre casa. O mercado de arrendamento tem que ser desenvolvido. Revisão da lei do arrendamento é urgentíssima.
4- No contexto actual, como conseguir um controlo mais democrático do mecanismo europeu?
Re: Conselhos para mudança profunda Ver comentário
Re: Conselhos para mudança profunda Ver comentário
Re: Conselhos para mudança profunda Ver comentário
Re: Conselhos para mudança profunda Ver comentário
Re: Conselhos para mudança profunda Ver comentário
Re: Conselhos para mudança profunda Ver comentário
!
Acumulação autorizada

GOVERNO DÁ 6 748 EUROS A REFORMADO

O secretário de Estado da presidência do conselho de Ministros (PCM), João Tiago Silveira, autorizou em Março de 2010, já em plena crise financeira, que um reformado acumulasse durante cinco anos o salário de 5830 euros, de encarregado de missão da instalação da Fundação EPAL com um terço da pensão de 2756 euros. Apesar das dúvidas dos serviços jurídicos da PCM, Tiago Silveira autorizou que Mário Pinho da Cruz recebesse 6748 euros por mês (soma do salário com um terço da pensâo). A acumulação foi solicitada pela ministra do ambiente, Dulce Pássaro, e levantou dúvidas à Direcção de Assuntos Jurídicos da PCM. “Do ponto de vista da segurança jurídica não é aceitável que uma Fundação seja gerida durante cinco anos por um encarregado de missão em regime de instalação”, lê-se num parecer jurídico. Dulce Pássaro justifica a concordância com proposta da EPAL, tendo em conta que “na informação que aquela empresa prestou a este Ministério o processo seguia as regras em vigor na altura”.
António Sérgio Azenha
Re: ! Ver comentário
Quatro conselhos de um estrangeiro!
1º- Ter um governo, legítimo, eleito.
O que está em funções é ilegítimo? Claro que não. É minoritário e mau, mas é legítimo.
2º Mudar radicalmente a política económica dos últimos dez anos focando investimentos produtivos.
Quais para além da educação? Não sei se tal cabeça está a pensar no TGV ou no Aeroporto de Alcochete. No TGV a França leva alguns milões da ajuda que financeira que possa vir. O alargamento da rede de proteção social, é necessária concerteza, mas´pode considerar-se um investimento reprodutivo?
3º-Controlar o sistema bancário e evitar empréstimos ao imobiliário e ao consumo.
Concordo e já foi reclamado há muito tempo. Esqueceu-se de falar da injeção de capital que os bancos reinvindicam do montante da ajuda a Portugal.
4º Lutar por um controlo mais democrático do mecanismo europeu.
Esta ponto brada aos céus! Temos lá o Durão Barroso para tornar tudo mais democrático!
PUBLICIDADE
Expresso nas Redes
Pub