Critica a decisão da UE de banir as lâmpadas incandescentes. Porquê?
Porque há lâmpadas incandescentes que podem integrar sistemas luminotécnicos de modo perfeitamente aceitável, permitindo uma notável economia de custos e recursos nas utilizações de tempo muito reduzido (alguns segundos), como acontece em locais de passagem (corredores, átrios) ou de presença curta (sanitários). As lâmpadas de incandescência com halogéneos, muito correntes, poderão ser utilizadas neste tipo de aplicações. É precipitada a medida, algo fundamentalista, que determina o desaparecimento das incandescentes do mercado.
Quando se fazem comparações entre lâmpadas economizadoras e incandescentes há confusão de conceitos?
Por vezes há. Fala-se e especula-se sobre eficiência energética recorrendo em geral a fórmulas de facilitação, como lâmpadas economizadoras e LED. Mas a realidade é muito mais abrangente, quando chega a hora do consumidor escolher. Com efeito, uma boa iluminação - com maior eficácia energética ou funcional - é a conjugação de três coisas: melhores lâmpadas em melhores aparelhos e com melhor localização (distribuição geométrica). E o lúmen por Watt é a forma correcta de medir a eficácia de uma lâmpada. Por outro lado, há uma série de acessórios que reduzem a potência instalada, racionalizando a sua utilização, e o tempo do consumo, de tal maneira que em certas situações vale mais ter uma lâmpada incandescente com esses acessórios do que uma economizadora.
Os consumidores estão informados sobre a temperatura de cor da luz das lâmpadas disponíveis no mercado?
Não, mas esta questão é fundamental porque a falta de informação está na origem de fenómenos de rejeição das fluorescentes compactas, depois de uma primeira experiência. Nem todas as embalagens têm dados sobre a temperatura de cor e o seu índice de reprodução, essenciais para o consumidor poder escolher bem.
O jornal britânico Sunday Telegraph fez testes de iluminação de lâmpadas de várias marcas num vulgar quarto de uma habitação, e concluiu que as LFC produzem apenas 58% da iluminação de uma incandescente equivalente. Os fabricantes exageram as vantagens das LFC?
A União Europeia já reconheceu que sim e, de facto, as práticas de marketing procuram convencer-nos de vantagens mirabolantes das novas lâmpadas que invadem o nosso quotidiano. Mas os testes feitos por esse jornal são desonestos, porque os aparelhos usados - os chamados luxímetros (light meters) - não são os adequados. Ainda por cima são de terceira categoria. Testes destes acabam por ser perigosos para o esclarecimento dos consumidores.
As lâmpadas LED vão ser o futuro?
Para pequenos fluxos luminosos sim, mas a sua obsessiva adopção nos usos bem desempenhados por outros tipos de lâmpadas não faz sentido, porque têm ainda muitas limitações tecnológicas. Por isso, pôr as LED em confronto com as lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) não é correcto, porque numa habitação ainda têm usos limitados - de sinalização, decoração ou concretização de níveis modestos de intensidade de iluminação. Em todo o caso, ao contrário das LFC, as LED acendem quase instantaneamente.
Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 17 de Outubro de 2009, 1.º Caderno, página 25