Está fechado mais um capítulo da história da cimenteira portuguesa Cimpor. Depois da oferta pública de aquisição (OPA) da brasileira Companhia Siderúrgica Nacional - CSN e da revisão dos termos da oferta em Fevereiro (o preço oferecido aos accionistas subiu dos 5,75 para 6,18 euros), apenas 8,566% do capital foi validado para passar para as mãos brasileiras. Com uma meta de sucesso da OPA em um terço do capital mais uma acção, o movimento daquela que é apenas uma das empresas com sotaque brasileiro a visar a estrutura accionista da Cimpor, fracassou e nenhuma das acções será transaccionada como se pode ler no resultado da oferta
, divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Mas o que representam para os investidores estas notícias? Se depender das opiniões dos analistas que acompanham a cimenteira, nada de bom.
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Cimpor
Preço 5,52 €
Preço-alvo em 2010 5,67 €
P/L 15,05x
Taxa de dividendos 3,32%
Rendibilidade 1 ano 94,22%
Fonte: Bloomberg. P/L=preço/lucros de 12 meses por acção. Preço-alvo com base nas recomendações emitidas em 2010.
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Rita Carles, analista do Banif Banco de Investimento que mantém uma recomendação de "manter" sobre os títulos da cimenteira, indicava numa nota de análise recente que a coexistência de várias empresas brasileiras na estrutura accionista da Cimpor (Camargo Corrêa e Votorantim) "pode gerar sérios conflitos de interesses no longo prazo e não oferecer uma estrutura accionista estável na Cimpor", atribuindo por isso um cenário negativo para a companhia portuguesa. Segundo a Bloomberg, a analista emitiu já hoje outra nota pouco abonatória para a companhia. "Estamos, de certa maneira, preocupados", lê-se na análise que reforça a ideia de que a instabilidade na gestão "pode ter um impacto negativo no desempenho operacional da empresa".
Também os analistas do BPI não tinham uma posição muito diferente. "Aconselhamos os investidores a olharem para uma saída" na OPA, lia-se na última nota assinada pelos analistas Bruno Silva, Flora Trindade e Filipe Leite que previa já um cenário difícil para as acções da empresa. "O risco da oferta da CSN falhar e a Cimpor começar a transaccionar a desconto face aos fundamentais ultrapassa o potencial de subida que os investidores podem retirar com a venda na oferta". Motivos que levaram a equipa do BPI a recomendar a venda dos títulos, posição semelhante à do restante mercado. A Cimpor é agora a segunda acção do PSI-20 mais vezes recomendada para venda pelos departamentos de research dos intermediários financeiros. Dos 8 analistas que acompanham a empresa nenhum recomenda a compra e 5 apostam na venda dos títulos.
As acções da Cimpor estão a caír mais de 5%, depois do fracasso da tomada brasileira da CSN, a um preço de 5,52 euros, um valor mais baixo do que o preço-alvo médio das recomendações sobre a empresa em 2010, 5,67 euros.
Fonte: BPI, CMVM