Portugal tem vindo a executar "com êxito" o programa de assistência internacional e não existem motivos "para que se fale em incumprimento", disse ontem numa conferência em Lisboa o presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barrroso.
"Portugal tem vindo a executar o programa de assistência com êxito e com a aprovação dos seus parceiros europeus e internacionais. Não há pois neste momento qualquer razão objetiva para se fale em incumprimento ou para que se alimentem cenários catastrofistas", frisou o responsável europeu.
Durão Barroso participou ontem na sessão comemorativa dos 175 anos da Associação Industrial Portuguesa-Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa.
"Portugal vai no bom caminho"
No seu discurso, e após ter sido contemplado com o título de presidente honorário da AIP, o chefe do executivo de Bruxelas reconhecer que a "magnitude do ajustamento necessário" está a implicar uma contração económica, mas sublinhou ser importante reconhecer "que Portugal está a cumprir e que Portugal vai no bom caminho".
Num discurso em tom otimista, Durão Barroso considerou que as dificuldades de hoje "serão a força de amanhã", e prognosticou uma "economia renovada" que vai voltar a criar riqueza e empregos.
"Estou convencido, sinceramente convencido, como presidente da Comissão Europeia mas também como português, que Portugal vai conseguir ultrapassar as presentes dificuldades e que os portugueses vão poder de novo encarar o futuro com confiança", referiu.
Na sua longa alocução, sob o tema "A Europa de hoje e o futuro", o presidente da CE tinha antes sublinhado a "Indispensável necessidade de reformas" para tornar as economias europeias mais competitivas num mundo global, mas que deverão preservar "a nossa economia social de mercado, aquilo a que justamente se chama o modelo social europeu".
Durão Barroso assegurou ainda o empenho do executivo europeu em corrigir as atuais dificuldades e voltou a destacar as medidas que o governo de Pedro Passos Coelho tem vindo a aplicar. "Portugal está a fazê-lo com grande coragem e determinação e os esforços notáveis de Portugal começam aliás a ser internacionalmente reconhecidos", sustentou.
"Males europeus" dissecados por Durão
A Europa vive um período de "refundação" que implica "medidas consistentes" para inverter o atual círculo, restaurar a confiança e retomar um "crescimento gerador de emprego", disse o presidente da Comissão Europeia.
O baixo crescimento económico, a fraca competitividade, o elevado desemprego e a crise financeira, aliada à uma "crise de confiança", foram alguns dos "males europeus dissecados por Durão Barroso.
"A confiança é o capital que neste momento está mais em falta na Europa. Por isso precisamos de romper este círculo vicioso de modo a restaurar a confiança e retomar um crescimento gerador de emprego", considerou.
"Por isso tenho vindo a insistir sobre a absoluta necessidade de combinar as medidas de consolidação orçamental com algumas medidas que mitiguem as atuais dificuldades e relancem também esperança no futuro da economia europeias", acrescentou o chefe do executivo da União Europeia.
"Liberalização" dos serviços e mercado único digital
A "efetiva liberalização" dos serviços e a criação de um mercado único digital, que poderão originar benefícios económicos para a UE perto dos €800 mil milhões, ou a "reafetação às Pequenas e Médias Empresas" (PME's) de diversos recursos provenientes dos fundos estruturais, "nomeadamente para serem usados como garantia dos empréstimos concedidos pela banca", foram algumas das medidas destacadas por Durão Barroso e que poderão inverter a atual tendência depressiva.
"Esta medida poderá vir a ter um efeito concreto imediato na redinamização da economia dos países que se sentem os efeitos negativos da desalavancagem do setor financeiro", sustentou.
A necessidade de PME's mais competitivas e inovadoras, ou o facto "inconcebível" de "apenas 13% das PME's europeias operarem em mercados fora da UE" foi outra questão colocada pelo chefe da CE, que voltou a apelar à capacidade de inovação, aumento da competitividade e capacidade de garantir novos mercados.
"Temos de nos adaptar a esta nova ordem mundial"
"Temos de nos adaptar a esta nova ordem mundial sabendo tirar partido dela em vez de apenas nos queixarmos de alguns dos seus efeitos", referiu.
A "indispensável realização de reformas" para uma economia mais competitiva foi outro aspeto que mereceu destaque na intervenção de Durão Barroso.
O dirigente europeu falou de uma fase de "refundação europeia", um "momento particular" no qual a "fragmentação" apenas será evitada caso de se imponham saltos qualitativos para uma maior integração, incluindo uma "resposta global à crise do euro", como ficou expresso pela recente aprovação do recente mecanismo europeu de estabilidade "Tem de ficar claro que a nossa estratégia global é de médio e longo prazo. Não tenhamos quaisquer ilusões quanto ao ritmo. Não vai haver milagres, estamos a falar de uma maratona e não de um sprint", avisou.