21 de abril de 2014 às 10:37
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Duas faenas de "El Torero" nos egos da Holanda

Mario Gómez é o avançado da moda: parece trapalhão, às vezes desajeitado, mas quando apanha a bola na área... é golo. E foi assim que a Alemanha (duas vitórias) ganhou por 2-1 à Holanda (duas derrotas).Clique para visitar o dossiê Euro-2012  
Bruno Roseiro
Mario Gómez, o avançado da moda, e Joris Mathijsen Thomas Bohlen/Reuters Mario Gómez, o avançado da moda, e Joris Mathijsen

É um dos encontros com mais história no futebol europeu: Alemanha e Holanda já se tinham encontrado 38 vezes, com ligeiro destaque para os germânicos (14-10, mais 14 empates). Por norma, são encontros equilibrados, divididos, quiçá históricos. Tudo o que este jogo não foi: os alemães foram sempre superiores e estiveram mais perto de ampliar a vantagem numa partida sem história.

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Mario Gómez, "El Torero" que tem sangue espanhol, foi o matador de serviço da Alemanha (que é uma equipa, na essência da palavra) contra uma Holanda (que não passa de um conjunto de grandes jogadores, qualquer que seja a perspetiva) que continua a zero no Euro: nos pontos e, praticamente, nas ambições que tem para a prova. 

O MINUTO 24', o primeiro golo de Gómez. Pela importância de desbloquear o jogo mas sobretudo pela execução técnica digna dos melhores - apanhou a bola de costas com uma recepção orientada (mais um termo da moda) de pé esquerdo e disparou de primeira com o pé direito

O MOMENTO O golo de Van Persie (73'), que ainda trouxe a ilusão de um final de jogo mais disputado. Mas não passou disso, uma ilusão - com mais ou menos homens na frente, a Alemanha conseguiu sempre controlar as ténues tentativas holandesas de chegar ao empate

O HERÓI "El Torero", o MVP do encontro. Um dos melhores avançados da atualidade que mistura a frieza - na hora de rematar e até de... festejar - alemã (da parte da mãe) com a explosão e sangue quente espanhol (da parte do pai). E respondeu às críticas do ex-internacional Mehmet Scholl, que dizia que Gómez tinha de trabalhar mais para a equipa - será que mais dois golos chegarão para que mude de opinião?

A ESTRELA Schweinsteiger. O médio do Bayern até marcou o penálti decisivo em Madrid que qualificou os bávaros para a final da Champions mas acabou mal a época, a falhar uma grande penalidade com o Chelsea e a travar pequenas batalhas contra lesões. Agora ressurgiu: duas assistências para golo e um sem número de recuperações de bola mostram que a referência do meio-campo alemão está de volta

O JOKER Hummels, de longe o melhor central alemão da atualidade que, pouco antes do Euro, ainda era dúvida nas opções iniciais de Löw. Agora já ninguém se lembra de Mertesacker - o jogador do Borussia Dortmund joga bem na antecipação, domina por completo pelo ar e tem ainda a valência de sair (bem) com a bola controlada quando os adversários pressionam um pouco mais alto

O VILÃO Mathijsen, que fez tudo por tudo para recuperar de uma lesão e poder alinhar com a Alemanha (já tinha falhado o encontro com a Dinamarca) mas fez pouco ou nada para travar a referência atacante dos germânicos. Ou se calhar também não havia nada a fazer...

O SEGREDO A entrada da Alemanha: a pressionar alto, a colocar muitos homens na zona de finalização e a fazer tudo para chegar cedo à vantagem. Conseguiu e, a partir daí, colocou ainda mais pressão numa equipa holandesa que já entrava a jogar sob brasas. E ficou a arder

O ERRO Há quem lhe chame crença, outros filosofia. Mas em português corrente só tem um nome - teimosia. Bert van Marwijk, que já anda 'pegado' com a imprensa desde maio, quis mostrar que ele é que manda na equipa e apostou no mesmo onze (à exceção de Mathijsen, que recuperou de lesão). Ao intervalo teve de dar o braço a torcer com uma dupla substituição que colocou em campo Van der Vaart e Huntelaar...

O NÚMERO 15, o número de vitórias da Alemanha sobre a Holanda em 39 encontros, esta mais especial porque pode colocar de fora um 'rival' que já não falha a passagem da fase de grupos em campeonatos da Europa desde 1980

O ACONTECIMENTO A imprensa alemã é como Angela Merkel - quando não tem nada para fazer ou escrever, cria factos. Mas, neste caso, a imprensa tem um pouco mais de noções históricas e geográficas - os comandados de Löw tinham um trauma com o segundo jogo da fase de grupos, depois das derrotas no Mundial de 2010 (com a Sérvia) e no Euopeu de 2008 (com a Croácia). Se havia, está superado

O AMANHàA Alemanha necessita apenas de um ponto para se qualificar e, em paralelo, assegurar o primeiro lugar do grupo. E só mesmo uma derrota com a Dinamarca, aliada a uma vitória de Portugal, poderia baralhar estas contas quase certas. Tão certas como as da Holanda - tem de ganhar a Portugal por dois golos de diferença e esperar que a Dinamarca perca com a Alemanha para ainda poder passar...

FICHA DE JOGO Estádio do Metalist Kharkiv (Ucrânia). Árbitro: Jonas Eriksson (Suécia). Holanda: Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen, Willems; Van Bommel (Van der Vaart, 46'), De Jong; Robben (Kuyt, 83'), Sneijder, Affelay (Huntelaar, 46'); Van Persie. Treinador: Bert van Marwijk. Alemanha: Neuer; Boateng, Hummels, Badstuber, Lahm; Khedira, Schweinsteiger; Müller (Bender, 90+2'), Özil (Kroos, 81'), Podolski; Mario Gómez (Klose, 72'). Treinador: Joachim Löw. Golos: 0-1, Gómez (24'); 0-2, Gómez (38'); 1-2, Van Persie (73'). Cartões amarelos: De Jong (80'), Boateng (87') e Willems (90')

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