O filósofo Bernard Henri-Levy considerou o processo e as acusações contra o ex-director do FMI, em Nova Iorque, como "hipócritas". O ex-ministro socialista da cultura, Jack Lang, disse que não via razões para tamanho alarido à volta do escândalo porque não tinha havido "morte de homem". Jean-Marc Ayrault, presidente do grupo parlamentar socialista, afirmou: "não sei se a vitima é a rapariga ou se é DSK". Muitos outros consideraram que, quando muito, DSK apenas teria cometido "uma imprudência de sedutor".
As associações feministas reagiram de pronto, dizendo-se "encolerizadas e revoltadas". "Sexismo: eles dizem o que pensam, as mulheres pagam" - é este o título do comunicado no qual convocam para amanha, às 17 horas, uma manifestação junto ao centro Pompidou, no coração de Paris.
Revolta atinge o PS
"Não sabemos o que se passou em Nova Iorque, mas sabemos o que se passa em França desde há uma semana, onde assistimos ao regresso de reflexos sexistas e reaccionários numa parte das elites francesas", lê-se no texto assinado pelas associações "Osez le feminisme", "La barbe" e "Paroles de femmes". O comunicado é acompanhado por um abaixo-assinado de 1500 personalidades do jornalismo e da vida cultural e científica francesa.
"Contra a impunidade do discurso sexista descomplexado" - é outro dos lemas da concentração de amanhã.
A revolta das mulheres francesas atingiu também os partidos franceses, designadamente o Partido Socialista, que tem uma forte tradição feminista (Leia mais na edição de hoje do Expresso).