Ainda não foi desta vez. Dominique Strauss-Kahn (DSK) somente voltará a sentar-se no banco dos réus no próximo dia 23. Inicialmente prevista para hoje no tribunal de Nova Iorque ao antigo líder do Fundo Monetário Internacional (FMI), a audiência foi novamente adiada.
A audiência era a 18 de julho, passou para 1 de agosto e agora foi novamente remarcada para o dia 23. Os fatos de que DSK é acusado remontam a 14 de maio, quando o então líder do FMI estava hospedado no hotel em Nova Iorque.
Ontem, Kenneth Thompson, advogado da empregada do hotel Sofitel, declarou que se a justiça norte-americana concluir que não há matéria para um processo criminal, optará por um processo civil para exigir reparação de danos. Em conferência de imprensa, a camareira Nafissatou Diallo forneceu pormenores sobre o alegado ataque que coincidem com as provas que estão na posse do tribunal que comprometem DSK.
Camareira ouvida durante 8 horas...
Entretanto, no passado sábado, o procurador de Manhattan interrogou Nafissatou Diallo durante oito horas. A camareira voltou a acusar DSK de agressão sexual e tentativa de violação, e foi questionada pelo juiz sobre a chamada telefónica que fez, no dia seguinte ao do alegado ataque, a um amigo que está preso no Arizona.
Durante a declaração, ouviu-se a gravação das conversas entre Nafissatou e o seu amigo. Estas conversas, na qual a empregada do hotel terá dito "este homem tem muito dinheiro, eu sei o que estou a fazer", lançaram dúvidas sobre as intenções da camareira a respeito do que acontecera no hotel.
Segundo o seu advogado, na primeira chamada a sua cliente apenas disse que o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional a tentou violar, mas nada. Posteriormente, numa segunda chamada, é que terá falado sobre a fortuna do mesmo.
De acordo com o jornal "The New York Times", os investigadores levaram várias semanas a traduzir o telefonema, uma vez que Nafissatou, de origem guineense, falou em peul, dialeto africano.
...deu ontem conferência de imprensa
Ontem, em conferência de imprensa, Nafissatou Diallo voltou a reafirmar a agressão por parte de DSK, responsabilizando ainda o antigo líder do FMI pelo fato de estar a ser "chamada de prostituta. Quero que vá para a prisão", disse.
Os pormenores que deu aos jornalistas coincidem com as provas que estão em poder da justiça, como os tempos de uso do cartão eletrónico que a empregada usou para entrar na suite de DSK, assim como os restos de esperma do político encontrados no tapete do quarto.
Dominique Strauss-Kahn foi libertado na sua última comparência ao tribunal, a 1 de julho. Nesse dia, os procuradores consideraram que havia "incongruências" nas informações da acusadora. Deste então, o antigo diretor-geral do FMI está em liberdade ainda que tenha de se manter nos EUA.
"Demos o nosso acordo para adiar a audiência diante do juiz [Michael] Obus de 01 para 23 de agosto. Acreditamos que o procurador continua a investigar e esperamos que tome, até 23 de agosto, a decisão de abandonar" as acusações, escrevem os advogados de defesa, William Taylor e Benjamin Brafman, em comunicado.
Strauss-Kahn foi detido a 14 de maio, num avião com destino a Paris. O antigo diretor-geral do FMI declara-se inocente de todas as acusações.
O antigo homem forte do FMI continua sem poder deixar o território norte-americano e o seu passaporte está nas mãos das autoridades.