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O Expresso em Omã

Vai uma "shisha"?

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Os malefícios para a saúde e a fúria anti-tabágica de alguns governos podem pôr em causa um dos maiores prazeres do povo árabe.

Margarida Mota, em Mascate

Em muitos locais do mundo árabe, não se convida um amigo para tomar um café, mas antes... para fumar uma "shisha". A acreditar, porém, num dos jornais mais lidos na Península Arábica, o "Gulf News", esse prazer poderá tornar-se cada vez mais raro. Nos últimos anos, vários estudos médicos sobre os malefícios da "shisha" - também conhecida por "narguila" - apontam para um aumento de vários tipos de cancro e de ataques cardíacos entre os seus consumidores.

O Expresso surpreendeu dois jovens omanitas, numa esplanada de Shatti Al-Qurum, nos arredores de Mascate. "Sabemos que faz mal à saúde. Mas isto é como o tabaco: as pessoas sabem que faz mal mas não deixam de fumar", diz um deles, fazendo uma pausa entre duas passas. "Acima de tudo, é muito relaxante", reage o outro. Os omanitas não são dos maiores consumidores de "shisha", mas nos fins-de-tarde de Primavera, com a temperatura a teimar não baixar dos trinta e muitos graus, a "shisha" torna-se inseparável de longas tertúlias ao ar livre.

Das montanhas aos desertos, dos cafés aos areais das praias, a "shisha" faz parte do estilo de vida árabe. Na Síria, chega a integrar o enxoval das noivas. Porém, a cruzada contra o fumo do Presidente Bashar Al-Assad começa a criar dificuldades entre os seus apreciadores. No mês passado, foi aprovada uma lei que proíbe o consumo de "shisha" nos dormitórios da Universidade de Damasco. Qualquer estudante apanhado a fumar sofrerá uma repreensão do reitor e terá de pagar uma multa. Estando em causa os hábitos de jovens, há quem refira que se os impedirem de fumar "shisha", outros vícios se seguirão...