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O resgate de Portugal

"É preciso que mudem drasticamente a política económica"

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Franck Biancheri, diretor de investigação no Laboratório Europeu de Antecipação Política,  em Paris, considera que orientar a política para investimentos produtivos, educação e segurança social é, agora, fundamental

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

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"Não havia alternativa ao pedido de resgate", afirma, em entrevista, Franck Biancheri, líder do movimento europeu Newropeans e diretor de investigação do Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP), em Paris. Mas, acrescenta, que esta situação - tal como outros pedidos de resgate na zona euro e outras consequências da crise - é uma "clara indicação de que as elites atuais falharam e que necessitamos de novas gerações de líderes".

Portugal não tinha outra saída?

Não, não havia alternativa. Todos os esforços feitos pelos países da eurolândia - e por outros países da União Europeia, à exceção do Reino Unido - desde Maio do ano passado dirigiram-se no sentido de colocar de pé um mecanismo para evitar tais crises e organizar um processo controlado de resgates para países da zona euro. Deste modo, não recorrendo a ele, Portugal estava a colocar em perigo este mecanismo coletivo de segurança financeira - e colocando-se em complicações ainda maiores. De qualquer modo, muitas das medidas de austeridade que terão de ser aplicadas em Portugal com o resgate teriam de qualquer maneira de ser implementadas, mesmo sem ele... e num ambiente ainda pior.

Como se chegou a uma situação de quase bancarrota?

Muito provavelmente - como em muitos outros países ocidentais - a crise e as suas consequências, como o resgate de Portugal, são uma clara indicação de que as atuais elites falharam. E de que uma nova geração de líderes é necessária.

Que conselhos daria agora?

Quatro. Primeiro: o mais rapidamente possível ter um novo governo, legítimo, eleito. Segundo: Mudar radicalmente a política económica dos últimos 10 anos focando em investimentos produtivos. Entendo que o investimento em educação faz parte disso e que é necessário investir numa rede de segurança social mais eficiente e mais ampla. Terceiro: Controlar o sistema bancário de modo a diminuir os empréstimos dirigidos ao consumo e ao imobiliário. Quarto: lutar por um controlo mais democrático do mecanismo europeu.