Siga-nos

Perfil

Expresso

Caso BPN

CGD considera "injustas" críticas de Cavaco

A Caixa Geral de Depósitos respondeu às declarações de Cavaco Silva sobre o BPN, classificando-as de "injustas" e manifestou a sua disponibilidade para prestar toda a "informação necessária".Clique para visitar o dossiê Caso BPN

O conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) considera "injustas" as críticas que lhe foram feitas na quarta-feira por Cavaco Silva a propósito do BPN e prontificou-se para esclarecer o atual Presidente da República. 

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ CASO BPN   Em causa estão as declarações de Cavaco Silva, candidato apoiado pelo PSD, durante o debate presidencial com Manuel Alegre, candidato apoiado por PS e BE, em que aquele confessou: "O que me surpreende é que em Inglaterra tenham ocorrido perturbações grandes, grandes prejuízos em bancos, tenham sido nomeadas administrações profissionais independentes e tenham conseguido recuperações notáveis. O que me surpreende é que esta administração do BPN não tenha conseguido fazer aquilo que fizeram as administrações em Inglaterra." Em reação a estas declarações de Cavaco Silva, a administração da CGD anuncia, através de comunicado, que "face às críticas, que considera injustas, sobre a gestão do atual conselho de administração do BPN, tecidas pelo candidato professor Aníbal Cavaco Silva durante o debate televisivo de ontem [quarta feira], deliberou manifestar à Presidência da República a sua disponibilidade para prestar toda a informação necessária". 

Gestão do BPN foi "adequada"

Essa informação será "demonstrativa de que a gestão do BPN foi correta, adequada, rigorosa e eficaz, tendo em conta a missão de que foi incumbida, as orientações do acionista, a situação de falência técnica em que se encontrava o banco, bem como a conjuntura económico-financeira e as condições prevalecentes do mercado durante os dois anos de mandato, executado num ambiente mediático particularmente desfavorável à atividade do banco".

Por junto, a administração da CGD, presidida pelo social-democrata e ex-ministro de Cavaco Silva Fernando Faria de Oliveira, "considera que o mandato de gestão e de apoio à liquidez que lhe foi confiado pelo acionista tem sido cabalmente cumprido".    Antes, ao longo do dia, o presidente do Banco Português de Negócios, Francisco Bandeira, admitiu à agência Lusa ter ficado surpreso com as declarações de Cavaco Silva, considerando algumas "ligeiras", feitas "em contexto de campanha eleitoral" e fruto de "deficiente informação". 

Imparidades muito superiores

Fora do contexto da campanha eleitoral, Bandeira disse ainda que "o candidato a Presidente da República não poderia deixar de convir que o conselho de administração do BPN encontrou um banco com insuficiências de capitais próprios e um nível de imparidades muito superiores à realidade conhecida" à data da nacionalização, em novembro de 2008.    Manifestou também "a total disponibilidade da CGD e da equipa de gestão do BPN para prestar qualquer informação à Presidência da República, que até ao momento nunca foi solicitada". 

"Acusação é muito grave", diz Silva Pereira 

Também hoje, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, considerou que Cavaco Silva fez uma "acusação muito grave" à administração da CGD.   Pedro Silva Pereira acrescentou que a "dúvida que foi lançada" incide sobre "o rigor e a competência profissional" da administração da CGD e da gestão que está a fazer no BPN.    Pedro Silva Pereira disse que "o que o Governo não permitirá em circunstância alguma é que se procure branquear as responsabilidades da anterior gestão criminosa do BPN, assim considerada pelo Ministério Público e assim em julgamento nos tribunais".    "Ainda por cima transferindo as responsabilidades de quem levou o banco a essa situação para a responsabilidade daqueles que atualmente estão, a muito custo, a tentar resolver um problema que não criaram", frisou.