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Jogos Olímpicos 2012

Velejadora mandou email e desapareceu

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Carolina Borges foi ao ar antes de sair para o mar: velejadora portuguesa avisou hoje de manhã, por email, que não tinha condições para competir depois de ontem ter treinado bem. Agora, ninguém sabe sequer onde ela anda...

Bruno Roseiro, enviado a Londres (www.expresso.pt)

Portugal já começou a ser notícia no centro de imprensa da Aldeia Olímpica mas não pelas melhores razões: intrigada com o cancelamento da inscrição de Carolina Borges, uma jornalista australiana já andava a tentar perceber o que se tinha passado junto da delegação nacional. Foi a primeira, não terá sido a última. Mas saiu a saber tanto como os outros porque a pessoa que tem de ser ouvida para esclarecer tudo, a velejadora portuguesa, está desaparecida.

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A novela começou hoje de manhã: ontem, Carolina Borges treinou-se bem, não apresentou qualquer problema e preparava-se para começar a prova de RS:X quando, do nada, enviou um email para Mário Santos, chefe da Missão portuguesa em Londres, que dizia telegraficamente o seguinte: "Por razões pessoais e médicas, informo que não irei participar na competição". O mesmo email terá sido também enviado à organização da prova. "Tentámos por todos os meios chegar à fala com a atleta mas isso não foi possível. As razões até podem ser justificáveis e ter fundamento mas existem regras a cumprir", explicou Mário Santos.

Por isso, a acreditação da atleta foi cancelada. Mas o certo é que Carolina Borges não deve precisar da mesma - ninguém sabe onde ela anda... O marido, Mark Mendelblatt, que está também a competir em Londres em representação dos Estados Unidos na classe star, encontra-se na água; o telefone tocava e tocava sem qualquer resposta; e do hotel garantem que a velejadora não se encontra e que nem o carro está estacionado por lá.

As especificidades da brasileira naturalizada

Carolina Borges chegou a Londres com vontade de lutar por medalhas e honrar a memória do avô, natural do Porto, mas desapareceu ainda antes do combate. Ao contrário de quase todos os velejadores (João Rodrigues tem casa perto da zona onde se realizam as provas há quatro anos), estava num hotel fora da Aldeia Olímpica com o marido - devidamente autorizada para tal -, por forma a "respeitar as suas especificidades". "Ela vive nos Estados Unidos, treina fora e também tivemos esses pormenores em conta", diz Mário Santos, que se encontrava a caminho de Weymouth e voltou para trás.

Recorde-se que Carolina Borges, nascida no Rio de Janeiro há 33 anos, competiu nos Jogos de 2004, em Atenas, representando o Brasil na classe mistral (25.º lugar) e iria cumpria a segunda participação de sempre de Portugal na classe RS:X depois de Catarina Fagundes (1996). 

No entanto, foi esse ponto que dificultou as tentativas da delegação nacional em encontrar a atleta. "Podia ter feito um contacto, as coisas não podem ser assim...". Onde anda a velejadora? Ninguém sabe. Certo é que as hipóteses de problemas relacionados com outro tipo de questões foram colocados fora de parte. A não ser mesmo a história de ter enviado o email e permanecer incontactável, isto depois de até ter estado presente na cerimónia de abertura.

Que castigo a aplicar?

Para já, Carolina Borges está fora dos Jogos Olímpicos mas as penalizações pela atitude deverão ser mais graves, nomeadamente a hipótese de devolver o dinheiro atribuído pela bolsa de preparação para a prova. Não é muito, deverá corresponder apenas a cerca de três meses de subsídio, mas poderá regressar ao destino.

"Vai haver agora um processo de averiguação e inquérito para se perceber o que se passou, só depois poderemos falar disso", conclui Mário Santos, frisando que "a situação anómala não terá repercussões".