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Jogos Olímpicos 2012

Phelps deixa a água mas a terra não voltará a ser a mesma

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Despedida de ouro de Michael Phelps das piscinas. Literalmente: vitória nos 4x100m estilos e 22.ª medalha nos Jogos. Sai o nadador extraterrestre, volta só o homem. É o melhor atleta olímpico de sempre para a FINA, como está inscrito no último troféu de carreira que recebeu. 

Bruno Roseiro (www.expresso.pt)

Michael Phelps é aquilo que muitas vezes se chama "um gajo porreiro". Sempre elétrico, a mexer-se de um lado para o outro. E vai continuar a ser assim, mas fora das piscinas. Apenas e só: o americano de 27 anos teve uma despedida de ouro da carreira, ganhando a estafeta dos 4x100m estilos à frente de Japão e Austrália, e chegando à 22.ª medalha nos Jogos Olímpicos. Melhor despedida... só mesmo com recorde do mundo.

Na cerimónia de entrega de medalhas e posterior volta de agradecimento à volta da piscina, o estilo descontraído (e também o hábito de estar no pódio) voltou a ser a grande marca de Phelps: sorridente, bem disposto, conversador. Pelo menos até ao hino, onde voltou a ficar com as lágrimas nos olhos como se fosse a primeira vez que estava naquela posição.

"USA, USA, USA", ouvia-se. "Michael, Michael", seguiu-se. Phelps distribuía recordações que trazia nos bolsos do casaco para a bancada, enquanto a mãe e as irmãs envergavam o cartaz "Phelps Phans Phorever". "Thank you mister Michael Phelps", gritou o speaker enquanto o nadador recebia uma bandeira dos EUA minúscula da família antes de levantar, com a equipa, o cartaz "Thank You London". Era o fim. À saida, recebeu um prémio da FINA (Federação International de Natação) que o considerou o melhor atlético Olimpico de sempre. Da festa e da carreira.

Na última corrida... foi o melhor 

Os americanos estão verdadeiramente rendidos a este astro do desporto. Também tem a ver com a própria forma de ser, o ligar apenas às modalidades onde têm atletas que possam ganhar medalhas e 'desprezar' tudo o resto como se não interessasse. Mas a despedida foi um momento emocionante e que ficará para sempre gravado na memória das mais de 17 mil pessoas presentes no Aquatics Center (não foram muitos os que abandonaram mais cedo, a não ser quem estava obrigado a ir a correr para o estádio Olímpico ver as finais do atletismo).

A primeira vez que o nome de Phelps foi pronunciado, como terceiro elemento da equipa norte-americana, o complexo registou uma autêntica explosão. Bom, isso é sempre. Mas hoje teve qualquer coisa especial, diferente. Tal como na entrada da Bala de Baltimore na água, recuperando a curta desvantagem que a equipa tinha para o Japão e fazendo o melhor tempo de todos (para não variar). Nathan Adrian tratou do resto e a vitória só pecou por não trazer também um recorde do mundo atrás.

A seguir, o abraço de grupo e a percepção de que o extraterrestre das piscinas voltará a ser apenas aquele homem normal, às vezes até um pouco solitário, que gosta de estar com a família e descontrair com os amigos em períodos sem competição (com uns excessos à mistura). O que fica, e para sempre, é a lenda. E recordes atrás de recordes. 

O que fica na história

Antes dos Jogos, havia a dúvida (se calhar mais para criar suspense do que outra coisa) se Michael Phelps conseguiria passar o número de medalhas de Larisa Latynina. Não só passou como colocou a fasquia onde provavelmente mais nenhum atleta conseguirá chegar: 22 pódios, com 18 ouros, duas pratas e dois bronzes. Um autêntico monstro das piscinas que, em 24 finais, só por duas vezes falhou os primeiros lugares - 5.º nos 200m mariposa de 2000 (com apenas 15 anos) e 4.º nos 400m estilos de 2012. O resto foi... história.

Como vai ser a partir de amanhã? Provavelmente, e durante uns tempos, andará de férias a viajar pelo mundo (e Portugal é sempre um destino possível, como aconteceu em 2008, a seguir a Pequim). Depois, tem a fundação com o seu nome, com intuito de desenvolver a natação e melhorar a qualidade de vida do maior número de pessoas possível. Por fim... é Michael Phelps. E isso, por si só, constitui uma profissão. A maior que existe, tal como o currículo dos nadadores nos Jogos Olímpicos.