Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Euro 2012

Paulo Bento: "Não vou confirmar se Ronaldo pediu para ser o último a marcar"

  • 333

Selecionador falou sobre o Euro-2012, em entrevista à RTP, mas não quis revelar se foi Cristiano Ronaldo a pedir para ser o último jogador a marcar nos penáltis contra Espanha. Sobre os críticos, Paulo Bento disse não ter compreendido o "ataque".

O selecionador português de futebol recusou hoje dizer se Cristiano Ronaldo pediu para ser o último a marcar nos penáltis frente à Espanha, nas meias-finais do Euro-2012 de futebol.  

 

"Não vou confirmar nem desmentir se o Cristiano Ronaldo me pediu para ser o último a marcar o penalti. A escolha teve a ver com a estratégia delineada, a forma como o jogo decorreu e com o adversário", disse Paulo Bento, em entrevista à RTP1, quando questionado se a ordem definida para a cobranças das grandes penalidades no jogo das meias-finais com a Espanha.  

 

O selecionador lembrou que Cristiano Ronaldo "foi o primeiro a bater e falhou" na série de penáltis que decidiu a meia final da Liga dos Campeões entre o Real Madrid e o Bayern de Munique e que na final da mesma competição entre o Manchester United e o Chelsea "falhou igualmente, tendo sido o último a bater".  

 

O jornalista contrapôs que, no Mundial 2006, Cristiano Ronaldo foi o último a marcar na série de grandes penalidades frente à Inglaterra, nos quartos de final, e que acertou, mas Paulo Bento replicou que "é fácil agora dizer que se faria diferente ou tentar justificar a eliminação com a Espanha com a ordem dos marcadores de penáltis".

"Posso também argumentar que..."

De resto, Bento destacou a importância do "sentimento dos jogadores" nesses momentos de tensão e responsabilidade, dando o exemplo de situações que viveu em que alguns dos seus comandados lhe pediram para "não serem um dos cincos primeiros a marcarem por não se sentirem confiantes".  

 

"Posso também argumentar que podíamos ter chegado ao último penálti com o nosso melhor especialista para o bater", referiu Paulo Bento, para quem "nada garante que não sucedesse o mesmo" que sucedeu nos penáltis da meia-final da Liga dos Campeões, entre o Real Madrid e o Bayern, quando Cristiano Ronaldo permitiu que Manuel Neuer defendesse.

Ronaldo "merece ganhar a Bola de Ouro"

Analisando o desempenho do capitão da seleção nacional, Paulo Bento

considerou-o "bom dentro da dinâmica coletiva da equipa" e reafirmou a ideia de que "não se pode pretender que Ronaldo resolva todos os problemas", até porque "é humano", independentemente de achar que "merece ganhar a Bola de Ouro, sem precisar do Euro-2012 para isso".  

 

Paulo Bento defendeu a necessidade de "criar condições para a seleção ganhar quando Ronaldo não estivesse nos melhores dias", tal como aconteceu na partida com a Dinamarca, considerando, todavia, que "não fez um mau jogo", e que "apenas teve duas oportunidades para resolver e que ficou marcado por isso".  

 

Sobre as capacidades de liderança de Ronaldo como capitão, elogiou os seus "elevados níveis de profissionalismo", que provou na concentração, em cada treino diariamente", defendendo a ideia de que "todos os colegas

se reveem nele como líder". 

Paulo Bento não põe Manuel José e Queiroz no mesmo saco de Rui Costa e Figo

O selecionador nacional pôs, finalmente, os "nomes aos bois" acerca dos críticos da seleção, identificando os colegas Manuel José e Carlos Queiroz, mas recusando "meter no mesmo saco" os ex-jogadores Rui Costa e Luís Figo. 

 

"Não tiveram [Manuel José e Carlos Queiroz] o comportamento que deviam ter tido, até porque são ambos ex-selecionadores, um que esteve vários anos na Federação e outro não sei se alguns dias ou meses", observou Paulo Bento, quando confrontado com as críticas feitas pelos dois

treinadores acima referidos. 

 

Para Paulo Bento houve "um aproveitamento pouco ético e sensato" por parte daqueles dois colegas, acima de tudo "por terem falado de algo que não conheciam" e por o terem acusado de ser "o responsável pelo planeamento, quando não sabiam como se treinava, como se perspetivava os jogos". 

 

Quanto às críticas ao desfile na despedida de Óbidos ou a visita à Fundação Champalimaud, o treinador rebateu-as, alegando, no primeiro caso que se tratou de agradecer e reconhecer as condições criadas à seleção para desenvolver o seu trabalho, e no segundo que a visita àquela instituição "é mais importante do que qualquer jogo de futebol ou campeonato de Europa". 

Ataque a "colegas de profissão sem conhecimento de causa" 

Em sua defesa, Paulo Bento aludiu aos tempos que se seguiram à sua saída do Sporting, durante os quais escrevia uma crónica num jornal e era comentador televisivo, sem que nunca se tivesse "metido ou intrometido no trabalho da seleção nacional", porque para o fazer "é preciso saber o que se está a criticar". 

 

"Não sei se eles [Manuel José e Carlos Queiroz] foram iguais ou se um apanhou boleia do outro. O que sei é que eu seria incapaz de falar sobre qualquer comportamento sem estar por dentro do que se passou. É o mínimo", disse Paulo Bento, que admitiu "ser criticado, tal como o é o Presidente da República". 

 

No entanto, contrapôs que, "para se criticar, é preciso ter conhecimento dos factos", invocando como exemplo da sua tolerância face à opinião alheia as críticas que lhe fizeram por "Cristiano Ronaldo não ter sido o primeiro a bater os penáltis em vez de João Moutinho". 

 

O que "não admite" é que treinadores que já desempenharam idênticas funções na seleção "ataquem colegas de profissão sem conhecimento de causa".

 

Confrontado com as críticas do diretor de futebol do Benfica, Rui Costa, e do ex-jogador Luís Figo, que visaram a estratégia de Paulo Bento no jogo de abertura do Euro-2012 frente à Alemanha, pelo facto de a equipa não ter mais cedo assumido a iniciativa de jogo e corrido mais riscos, o selecionador separou-as das de Manuel José e Carlos Queiroz. 

 

"Não podemos meter tudo no mesmo saco, apesar de alguns o pretenderem. O que o Rui Costa e o Figo fizeram foi uma análise de natureza técnico-tática. Eles foram jogadores como eu, muito melhores do que eu, e há que ter essa sensibilidade", argumentou Paulo Bento, que justificou, ainda, a decisão dos jogadores não falarem à imprensa após o jogo com a República Checa.

 

O selecionador revelou ter sido "uma decisão exclusiva dos jogadores", que disse "compreender", mas lembrou que houve jogadores que falaram aos órgãos de comunicação social, no flash interview no final da partida.

Rescisão de contrato sem indemnização caso Portugal não se qualifique para o Mundial

Paulo Bento também revelou ter um acordo com a Federação Portuguesa de Futebol no sentido de, caso falhe a qualificação para o Mundial-2014, o seu contrato poder ser "rescindido pela entidade patronal sem qualquer indemnização a pagar". 

 

"É o mesmo acordo que fiz com Gilberto Madaíl quando assinei o primeiro contrato. A partir do momento em que Portugal não tivesse possibilidades de ser qualificado para o Euro-2012, o contrato podia ser rescindido sem qualquer indemnização".