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No lugar do morto

Corpo inanimado (morto?) no chão de um mercado, na zona velha de Bombaim

Paulete Matos

Num mercado de rua em Bombaim, a população está indiferente ao corpo de um homem inerte no chão.

Bernardo Mendonça (texto) e Paulete Matos (fotos), em Bombaim (www.expresso.pt)

Num dos mercados de rua em Bombaim avistamos um corpo de um homem estendido no asfalto. Está descalço, sujo de terra, encostado a uma valeta. Como um cão sarnento. Estará a dormir? Não. Parece inanimado. Perguntamos aos donos dos pés que por cima dele passavam com à vontade e indiferença.

Estará bêbedo? Não - respondem. Desmaiado? Não. Então mas o que se passa com este homem? Precisará de ajuda? Não. Estará morto? Sem resposta. Riem-se da nossa curiosidade. Não chegámos a apurar a verdade. Entretanto, tivemos de seguir para o destino da nossa reportagem. Pareceu-nos que estava morto. Provavelmente estava. Um choque para alguns elementos da equipa.

Se a morte é chocante, incómoda, perturbadora para nós, para os indianos é encarada de outra perspectiva, bastante mais mística e pacífica. Como uma passagem desejável para outro lado. Como o largar de uma velha pele e o continuar de um caminho de purificação. Viajar também é isto. É confrontarmo-nos com outras formas de olhar a realidade. Sem juízos de valor.

Leia no próximo Sábado a reportagem nos bastidores de Bollywood na Revista Única.