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WikiLeaks: Gebuza e Chissano financiados pelo narcotráfico

Telegramas da embaixada norte-americana em Maputo, divulgados pelo WikiLeaks, revelam que Presidente  moçambicano, Armando Emílio Guebuza, e antecessor Joaquim Chissano estão envolvidos com o narcotráfico. Clique para visitar o dossiê WikiLeaks

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Em Moçambique, o poder político ao mais alto nível está comprometido com o narcotráfico, revelam telegramas confidenciais da embaixada norte-americana em Maputo, divulgados pelo portal WikiLeaks, que envolvem o presidente Guebuza e o seu antecessor, Joaquim Chissano.

Clique para aceder ao índice do dossiê WikiLeaks De acordo com diplomatas americanos, os traficantes financiaram campanhas eleitorais da Frelimo e o próprio Presidente Armando Guebuza e o seu antecessor, Joaquim Chissano. Corromperam igualmente polícias e agentes de alfândegas, além de controlarem portos e agentes nos aeroportos, o que lhes permite enviar a droga - haxixe, heroína, cocaína e mandrax - para a África do Sul ou para a Europa.

Questionado no Parlamento pelos jornalistas, o primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali, disse que não tinha "nada a comentar", acrescentando que essa seria uma questão a ser colocada à embaixada dos EUA.

Guebuza conhecido como "Mister Guê-Business"

O narcotráfico tem uma base segura em Moçambique, rota da cocaína que chega do Brasil, do haxixe do Paquistão e da heroína produzida no Afeganistão, afirmam diplomatas americanos em correspondência divulgada pelo site WikiLeaks e publicada ontem pelo jornal "Le Monde".

O jornal "Le Monde" afirma que o Presidente moçambicano Armando Guebuza, de 67 anos, é conhecido pelo nome de "Mister Guê-Business" e que é considerada a pessoa mais rica do país, com atividades ligadas à banca, aos media, à construção, à pesca e ao import-export.

Após a Guiné-Bissau, Moçambique tornou-se "o segundo lugar africano mais ativo para a actividade dos traficantes de droga", relatou num telegrama, no verão do ano passado, o representante diplomático da embaixada dos EUA na capital moçambicana.

Tentáculos do polvo

Moçambique "não é um completo narco-Estado corrupto, mas segue numa direção inquietante", destaca o diplomata. Segundo o funcionário americano, a cocaína chega "por avião a Maputo procedente do Brasil", e o haxixe e a heroína vêm por via marítima de "Paquistão e Afeganistão".

As drogas alimentam o mercado sul-africano ou seguem para a Europa. 

O narcotráfico é dirigido por dois moçambicanos de ascendência asiática, Mohamed Bachir Suleiman, conhecido como "MBS", e Ghulam Rassul Moti, cujas atividades eram impossíveis sem a cumplicidade ao mais alto nível do Estado, segundo a correspondência diplomática.

"MBS tem laços diretos com o presidente Armando Guebuza e com o ex-presidente Joaquim Chissano", revela um telegrama diplomático de 28 de setembro de 2009 divulgado pelo WikiLeaks. "Suleiman contribuiu em grande parte para financiar a Frelimo (partido do Governo) e ajudou significativamente nas campanhas eleitorais" de Guebuza e Chissano.

O diplomata americano explica que "a administração do porto de Nacala, célebre por permitir a passagem de droga procedente do sudeste asiático, foi entregue recentemente a Celso Correira, presidente executivo da Insitec, uma empresa de fachada de Guebuza".