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Expresso

Revoltas no Magrebe e no Médio Oriente

Líbia: dúvidas com ossos encontrados em vala comum

Médicos que acompanharam reportagem da CNN levantam dúvidas sobre os ossos encontrados ontem numa vala comum, em Tripoli. Novas autoridades líbias já pediram ajuda à comunidade internacional. Clique para visitar o dossiê Revoltas no Magrebe e no Médio Oriente

O Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT) acredita que os 1270 cadáveres descobertos ontem, numa vala comum, em Tripoli, pertencem a detidos da prisão de Abu Salim, assassinados pelo regime em 1996.

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No entanto, médicos que acompanhavam a equipa de reportagem da CNN no local dizem que as ossadas não parecem ser de humanos. Para esclarecer as dúvidas, as novas autoridades líbias já pediram ajuda internacional.

"Ainda há muito mais para descobrir sobre este massacre. Para ser sincero não estamos preparados para lidar com isto, por isso pedimos ajuda à comunidade internacional. Precisamos de especialistas que nos ajudem a identificar os corpos. As famílias destas pessoas têm o direito de saber o que aconteceu", disse à estação de televisão norte-americana Salem Fergani, um médico do CNT.

Revolta em 1996

As novas autoridades líbias defendem que os cadáveres são de presos que, a 28 de junho de 1996, se revoltaram contra o regime de Kadhafi. Os detidos reclamavam das más condições da cadeia e das restrições impostas às visitas com familiares e, num ato de revolta, saíram das celas sem autorização.

"Lembro-me que os guardas começaram a disparar contra os presos que estavam fora das celas", denunciou à Human Rights Watch Hussein Shafei, antigo prisioneiro.

Depois dos detidos terem acordado regressar às celas foram levados para o pátio do estabelecimento prisional, algemados e com os olhos tapados, acabando por ser executados.

Corpos trasladados em 1999

Abdul Wahab Gady, outro antigo detido que afirma ter estado em Abu Salim na altura do massacre, conta que os corpos foram primeiro enterrados no interior da prisão e, em 1999, levados para o seu exterior.

A prisão de Abu Salim tinha má reputação e estava sob controlo de várias organizações de defesa dos Direitos Humanos. Opositores do regime asseguram que foram ali torturados várias vezes.

Ao local onde foram encontrados os restos mortais têm-se estado a concentrar familiares dos detidos. Antigos presos e antigos guardas prisonais estão a ajudar na reconstituição do que terá acontecido.

O Governo de Kadhafi sempre negou os crimes. No entanto, em 2007 ofereceu indemnizações às famílias das vítimas que apresentaram uma queixa. A Human Rights Watch diz que os familiares recusaram, alegando que se tratava de suborno, passando a protestar todos os sábados em Benghazi.