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Expresso

Prémios Nobel 2010

Liu Xiaobo é Prémio Nobel da Paz

Mulher de Liu Xiaobo exibe foto do marido e dissidente chinês, que está preso há dois anos acusado de atividades subversivas

Petar Kujundzic/Reuters

Chinês Liu Xiaobo ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2010. Dissidente do regime de Pequim tem 54 anos e está preso pela terceira vez.

O Prémio Nobel da Paz de 2010 foi hoje atribuído a Liu Xiaobo, anunciou hoje o Comité Nobel Norueguês.    "Liu Xiaobo foi distinguido pela sua luta longa e não violenta pelos direitos fundamentais da China", justificou o comité, que é composto por cinco pessoas escolhidas pelo Parlamento norueguês.

O dissidente chinês está preso há quase dois anos, pela terceira vez, por atividades consideradas subversivas. 

Condenado a 11 anos de prisão

Antigo professor universitário e crítico literário, Liu Xiaobo, de 54 anos, foi condenado em dezembro passado por um tribunal de Pequim a 11 anos de prisão, acusado de tentar "subverter o Governo". 

Liu Xiaobo foi detido pela última vez em dezembro de 2008, depois de ter promovido um abaixo-assinado a favor da introdução de reformas políticas na China, nomeadamente o fim do regime de partido único, a independência do poder judicial e a liberdade de associação.  

Foi a sua terceira detenção desde a sangrenta repressão do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, em junho de 1989.

Subscritor da "Carta 08"

O manifesto, subscrito entretanto por mais de dez mil pessoas, chama-se "Carta 08", uma alusão à famosa Carta 77 lançada por Vaclav Havel na antiga Checoslováquia socialista. "Devemos tornar universal a liberdade de expressão e de imprensa, garantindo que os cidadãos possam ser informados e exercer os seus direitos de supervisão política (...) Devemos acabar com a prática de encarar as palavras como crimes", proclama a "Carta 08". 

Liu Xiaobo é doutorado em Literatura Chinesa. Ensinou numa universidade em Pequim, mas foi banido do ensino oficial pelo seu envolvimento nas manifestações estudantis de 1989, consideradas pelo Governo como "uma rebelião contra-revolucionária". 

Polícia chinês fecha a estrada de acesso ao local de residência da mulher de Liu Xiaobo, onde depressa se concentraram dezenas de jornalistas

Polícia chinês fecha a estrada de acesso ao local de residência da mulher de Liu Xiaobo, onde depressa se concentraram dezenas de jornalistas

Andy Wong/AP

Depois da repressão do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, esteve preso durante cerca de um ano e meio, até ao início de 1991. Entre 1996 e 1999, foi de novo detido e internado num "campo de reeducação através do trabalho". 

Estados Unidos e União Europeia pediram várias vezes a libertação de Liu Xiaobo. Em dezembro passado, o porta-voz do departamento norte-americano de Estado disse que um julgamento de Liu Xiaobo "não é próprio de um grande país". 

China contra "ingerência grosseira"

O Governo chinês rejeitou as críticas ocidentais ao processo, considerando-as uma "ingerência grosseira nos assuntos internos da China".  

A China é hoje uma das mais dinâmicas economias do mundo, mas no plano político, o "papel dirigente" do Partido Comunista continua a ser "um princípio cardinal". 

"Este país nunca teve tantas liberdades individuais como agora, mas desafiar o poder do Partido, isso não é, de modo nenhum, permitido", comentou o ano passado em Pequim Sidney Rittenberg, o único cidadão norte-americano autorizado a filiar-se no PCC, na década de 1940.  

"Dissidentes são os que insistem em desafiar publicamente o poder do Partido Comunista. Para eles não há justiça", acrescentou.