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Seria um "erro" dissolver o Parlamento, diz Jardim

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Alberto João Jardim não está surpreendido com a crise política, "houve sempre sarilhos nas coligações PSD/CDS". Em entrevista à RTP, o líder regional defende uma remodelação no Governo, com "novas caras e formas de comunicar".

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu hoje uma remodelação do executivo central, de coligação PSD/CDS-PP, e novas formas de comunicar, mas considerou ser "um erro" uma eventual dissolução do parlamento.

"(...) Seria um erro a Assembleia da República ser dissolvida, mas, por outro lado, devido a erros que se acumularam durante este Governo, tem que haver novas caras e novas formas de comunicar", afirmou Alberto João Jardim em entrevista à RTP, transmitida também pela RTP-Madeira.

O chefe do executivo insular disse não ter ficado surpreendido com a crise no seio da coligação, lembrando a história política do país: "Tirando os governos de Sá Carneiro, houve sempre sarilhos nas coligações PSD/CDS, independentemente das lideranças".

Novas eleições lançariam caos no país

Insistindo na necessidade de "haver novas caras" e "novos processos de comunicação", Jardim reiterou: "Mas isto tem de ser feito sem dissolver a Assembleia da República e sem lançar o país num caos que seriam novas eleições".

Na entrevista, conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves, o governante sustentou que esta crise "tem que ser ultrapassada".

"Obviamente, temos que ter a mesma prudência que é não comprometer também toda a conjuntura em termos de, daqui a dias, nos faltar o dinheiro para pagamentos", declarou, acrescentando que o atual momento político "é uma questão de intervenção do Presidente da República", mas também de todos os partidos.

Para Alberto João Jardim, "é uma questão de cada partido, inteligentemente, fazer a sua autocrítica e procurar novas soluções, seja partido que pertença à maioria parlamentar, seja partido que não esteja na maioria parlamentar".

Sociais-democratas fazem "um pouco o papel do marido enganado"

Ainda sobre a coligação governamental, o também líder do PSD/Madeira considerou que os sociais-democratas fazem "um pouco o papel do marido enganado", situação que tem que ser "corrigida".

"Quando vejo neste Governo o CDS em Lisboa dizer uma coisa, aqui na Madeira diz uma coisa diferente, diz que não disse o que disse em Lisboa, depois quando vejo os ministros da área do PSD a dar as más notícias e, entretanto o dr. Paulo Portas está de viagem ou não fala dos assuntos complicados ou os ministros do CDS anunciam coisas ótimas, mas que depois também se vem a ver que não têm qualquer concretização, de maneira que eu sinto, de certo modo, que o PSD até agora fez um pouco um papel do marido enganado", disse.

Questionado sobre o que espera da reunião da comissão política nacional do PSD, esta noite, o presidente do Governo da Madeira disse ser uma matéria pela qual não se interessa muito.

"Estou, de certo modo, afastado. (...) Sou considerado incómodo dentro do PSD nacional e, aliás, veja a forma como o PSD nacional se comportou comigo nas eleições regionais do ano passado. Isso foi um capítulo muito grave que eu não esqueci", repetiu o dirigente social-democrata, defendendo ser necessário para o país "renegociar o tempo da ajuda estrangeira", a descida das taxas de juro e mais moeda em circulação.