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Portugal na boca do mundo na luta contra a austeridade

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Imprensa internacional acompanhou a dimensão dos protestos em várias cidades do país. Os portugueses saíram à rua para demonstrar a sua indignação. Perderam a paciência mas continuam pacíficos.

Raquel Pinto (www.expresso.pt)

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Gritos contra Executivo conservador

No Brasil, o portal de notícias G1 da "TV Globo" descreve "gritos e cartazes contra o Executivo conservador de Pedro Passos Coelho e as duras medidas de ajuste aplicadas nos seus 15 meses no poder para cumprir as exigências do resgate financeiro luso".

O protesto, um dos de "maior contestação popular" em Portugal nos últimos anos", "sem orientação política", foi convocado através das redes sociais na Internet por "movimentos cívicos e grupos de 'indignados' lusos", que receberam o apoio de partidos de esquerda e de grandes sindicatos.

O objetivo: "expressar o descontentamento dos portugueses com uma política económica que disparou o desemprego (até 15%) e a recessão (3,2%)".

Manifs pacíficas

Já o "Folha de São Paulo" destaca a forma "pacífica" de como se desenvolveram as manifestações em Lisboa e noutras cidades portuguesas.

Os manifestantes pediram para Passos Coelho "não aplicar as novas medidas de ajuste anunciadas na última semana, as quais supõem uma nova redução de salários superior aos 7%, e também criticaram os empresários e as figuras da coligação conservadora do Governo".

Paciência explodiu

"Protesto cresce em Portugal", titula o "El Pais", dando conta de "dezenas de milhar de pessoas que sairam às ruas de Lisboa", convocadas pela sociedade civil. A faixa que abriu o caminho era "eloquente e simples": "Que se lixe a troika. Queremos as nossas vidas". 

O jornal espanhol diz que os portugueses estão "fartos", a julgar pelos cartazes e frases entoadas. A "paciência explodiu". "Está a começar a tocar em coisas muito sensíveis: comida, roupa, escola. Nós não podemos mais. Por isso, eu estou aqui ", afirmou Jorge Garcia, um dos manifestantes.

O "El País" fala dos incidentes na Avenida da República, no número 57 onde está a sede do FMI em Portugal, com "vaias, tomates e ovos arremessados". "Um batalhão de polícia anti-distúrbios com cães guardavam a entrada. Houve um detido", relata.

Manifestações a abarrotar e solidariedade com Espanha

O "El Mundo" descreve um "protesto massivo" em mais de 30 cidades portuguesas, organizado nas redes sociais, "pacífico e não partidário", com as principais avenidas "abarrotadas".

Esta foi uma das manifestações com mais participação desde a "Revolução dos Cravos, em abril de 1974, que trouxe a democracia ao país".

"Em Aveiro, um jovem de 21 anos está hospitalizado depois de imolar-se como forma de protesto", destaca o diário espanhol que salienta ainda o facto de na capital lusa o protesto ter terminado na Praça de Espanha, numa "demonstração de solidariedade com a situação similar do país vizinho". 

Os incidentes frente ao FMI e à Assembleia da República, local por onde não estava previsto que a manifestação passasse, também são relatados: "a Polícia impediu os manifestantes mais efusivos de poderem aceder pela escadaria. Além dos insultos e cânticos contra a austeridade, a troika e o governo do conservador Pedro Passos Coelho, algumas pessoas lançaram pedras contra os agentes de segurança, que resultou num repórter ferido e três detidos".

Grandes protestos em Espanha e Portugal

O "The New York Times" e o "Washington Post" destacam  os "grandes protestos em Espanha e em Portugal" contra a austeridade de Mariano Rajoy e Passos Coelho.

O jornais norte-americanos falam dos "tomates" e "petardos" em frente à sede do FMI, em Lisboa, mas separa o incidente da forma "pacífica" como decorreu a manifestação, já que o pacote de austeridade poderia transformar a "aceitação sombria do apertar do cinto numa explosão de raiva semelhante ao que aconteceu na Grécia nos últimos dois anos".

O "Chicago Tribune" também noticia a revolta popular dos espanhóis e portugueses. Em Portugal foram na "maioria sem incidentes", à excepção do que se passou em Aveiro.

No económico "The Wall Street Journal", Espanha e Portugal exibiram "a mais recente resistência a medidas de crise que os líderes europeus estão a exigir dos países endividados da zona euro para reforçar a moeda comum". Mas ao contrário da Espanha, que procede internamente aos seus cortes, tentando escapar a um resgate financeiro internacional, Portugal aceitou a supervisão internacional da sua economia, no âmbito de uma pacote de auxílio europeu anunciado no ano passado.

'Enxurrada' de críticas

A adesão em larga escala dos protestos contra a austeridade também têm uma nota no "Le Monde". "Parem o terrorismo social", "Aqueles que roubam Portugal devem ser julgados ou "Eu luto para manter o meu trabalho" são alguns dos slogans dos cartazes que o jornal francês elegeu da manifestação onde "a Polícia se manteve discreta na capital".

A agência "AFP" refere que, desde as últimos cortes do Governo, Passos Coelho enfrenta uma "enxurrada" de críticas da oposição.

Eurosondagem SIC/Expresso na "Reuters"

A "Reuters" salienta a dimensão dos protestos em resultado da "raiva" dos portugueses. A agência de notícias britânica destaca os resultados da Eurosondagem SIC/Expresso publicada na sexta-feira, sobre as intenções de voto em que o PS (33,7%) ultrapassou o PSD (33%), para denotar a perda de popularidade do Governo com o anúncio de novas medidas.

O descontentamento de milhares nas ruas de Madrid e Lisboa recebeu espaço na "Al Jazeera", televisão do Catar. "Queremos a nossa vida de volta", é um dos desabafos das frustrações dos manifestantes. A emissora explica que a "aplicação dos cortes e as reformas" está a ser avaliada pela troika, como parte de um pacote de resgate recebido em 2011 e que, na semana passada, o primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou um aumento das contribuições para a segurança social de 11% para 18% do seu salário mensal, com descidas nas contribuições patronais, numa tentativa de fomentar o emprego.